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Contrariar a depressão

12 Novembro, 2008 0

Entrar na chamada terceira idade não tem de ser sinónimo de apatia e depressão. Se a chegada da reforma lhe deixa mais tempo livre, há que o investir em actividades lúdicas e “fintar” a tristeza e o isolamento. Acredite: melhorar o estado de espírito sente-se por dentro e isso vê-se por fora.

Já pensou no que vai fazer quando chegar a idade da reforma? Se este é o seu caso, antes de se deixar “abater” pela tristeza, deverá procurar desenvolver actividades que lhe dêem alento nesta nova fase da vida. Afinal de contas, como diz Alexandre Dumas, o que nos torna velhos não é a idade, são as doenças que se atravessam no caminho.

Aprenda a sorrir para a vida e atire as tristezas para trás das costas. E isto porque o isolamento e a inactividade podem propiciar o aparecimento de algumas doenças, nomeadamente a depressão. Segundo o Dr. Horácio Firmino, coordenador da consulta de Gerontopsiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, “esta é a patologia psiquiátrica mais comum na população idosa”.

Assim sendo, e já que “as tristezas não pagam dívidas”, o melhor mesmo é poupar a saúde, investindo em programas de terapia ocupacional. Ficar em casa deprimido não é a solução para os problemas. Antes pelo contrário. “O estado de desânimo, a perda de interesse, o cansaço físico e intelectual e a falta de perspectivas para a vida influenciam a interacção com o mundo exterior”, aponta o médico psiquiatra.

O impacto da depressão não está, apenas, limitado ao convívio social. “Sabe-se que também aumenta o risco de doenças cardiovasculares, nomeadamente a hipertensão arterial ou enfarte agudo do miocárdio. Em alguns casos, quando o idoso manifesta um declínio cognitivo, associado à perda de memória, a depressão pode ser um estado prévio ao desenvolvimento que se segue”, completa Horácio Firmino.

 

Depressão ou crise da idade?

Para Horácio Firmino, a sociedade ainda encara “a depressão como um estado de espírito normal na pessoa idosa”, desvalorizando os sintomas de tristeza e apatia. “Felizmente, este não é o apanágio do envelhecimento”, acrescenta o especialista, indicando que o humor depressivo não deve ser entendido como uma crise da idade.

“Trata-se de um uma situação persistente no tempo e distinta do estado de desânimo. O diagnóstico de depressão baseia-se em critérios actuais, nomeadamente o aparecimento de tristeza ou perda de interesse, associado a, pelo menos, quatro outros sintomas: perturbação do sono, apetite, culpabilidade, apatia, dificuldade de concentração, ideação suicida”, diz o psiquiatra. E adianta que a patologia depressiva “tem tratamento e, quando bem sucedido, melhora a qualidade e evita um mal maior: o suicídio”.

Segundo os dados existentes, a depressão assume-se como “a principal causa do comportamento suicida”. Contrariamente aos adolescentes, o acto suicida nos seniores “é, geralmente, fatal”. E por várias razões. Desde logo, “pela maior fragilidade física, pela incapacidade em pedirem auxílio (já que muitos dos idosos moram sozinhos) e pela intenção de colocarem termo à vida”.

Por todos estes motivos, o psiquiatra alerta para a importância de manter um olhar vigilante sobre algumas populações de risco. “Para evitar situações de suicídio, deve-se redobrar a atenção nos homens com idade superior a 75 anos, viúvos, deprimidos, com problemas de álcool ou com doenças crónicas e incapacitantes.”

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