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Como combater a depressão

22 Dezembro, 2007 0

Muito se tem falado ultimamente acerca da depressão, pois nunca esta doença foi tão frequente quanto é hoje. Não iremos deter-nos em aspectos técnicos da doença, mas tentar dar alguns conselhos que possam ser úteis a alguns destes doentes.

Sabe porque está deprimido?

Podemos dizer que a depressão está ligada ao sentimento de culpa do passado que armazenamos no coração, ao sentimento de tristeza e melancolia, frente às dificuldades e problemas do presente e à ansiedade diante do futuro.
Poderemos até dizer que a depressão é a doença da alma!

Verificamos que grande número de doentes perante a pergunta ”sabe porque está deprimido?”, dificilmente encontram razões conscientes para a causa.

O homem actual é um ser solitário.

A família não é mais o que era, uma estrutura de apoio para cada um dos seus membros, pois todos vivem correndo, sem tempo para o diálogo, para a partilha. Vai-se cavando um fosso que afasta as pessoas daquilo que realmente as deveria unir, pois no meio de tantas corridas deixou de haver tempo para sorrir, para dizer umas às outras o quanto se amam, para além das suas diferenças.

Por outro lado cada vez há mais pessoas vivendo sozinhas sem terem com quem conversar, partilhar alegrias e tristezas. Algumas não têm família, outras, a família também deixou de ter tempo para elas!

O homem é um ser gregário, que não nasceu para viver sozinho e sempre que partilha a vida, é mais feliz.

O afastamento da natureza também tem sido prejudicial para o ser humano. Quantas vezes conseguimos hoje apreciar o sol, olhar para uma flor, ouvir o chilrear de um pássaro? O sol é um grande inimigo da depressão.

Pelo contrário, ligamos a televisão, vemos notícias só de desgraças, como se já tivessem deixado de existir coisas bonitas!

O homem de hoje tornou-se medroso: medo das doenças, medo das catástrofes, medo de solidão, …

Mas, acima de tudo, o homem perdeu-se. Não sabe quem é.

Os valores actuais deixaram de ser o SER para passarem a ser o TER. E, nesta corrida, para o TER muita coisa se perde. Por vezes perde-se o principal, a verdadeira identidade. Sim, porque bem lá no fundo, a grande aprendizagem da vida é o amor a que todo o ser humano aspira.

Será que isto tem solução?

Em primeiro lugar é bom lembrar que para amar é preciso perdoar tudo aquilo que guardamos de mágoas no nosso coração e libertar-nos desse pesado fardo.

É importante também ser capaz de mudar o que pode ser mudado, aceitar o que não se muda e ter sabedoria para distinguir as duas situações.

E à medida que a pessoa se vai tornando mais leve, vai” abrindo o coração” e vai sentindo necessidade de ser útil à sociedade, de lhe dar o seu contributo.

Se analisarmos atentamente o número de pessoas que após a reforma permanecem isoladas em casa, sem tratar dos netos, sem conviverem, poderemos verificar que esse número é assustador.

A pessoa aos poucos começa a morrer, pois perdeu a motivação para a vida, acha-se inútil.

Algumas pessoas ainda relativamente jovens, mas já reformadas, recorrem às nossas consultas de clínica geral com queixas sugestivas de depressão, nomeadamente, apatia, vontade de chorar, insónias, anorexia etc.

Dizem ter até uma boa família, viverem bem, mas não sabem explicar o que lhes falta. Deixo-lhe um conjunto de sugestões que têm dado resultado.

Sugestões para os reformados combaterem a depressão

– Saiam à rua, convivam com outras pessoas, façam exercício físico, nomeadamente caminhadas a pé, consumam alimentos de fácil digestão, sobretudo à noite. Enfim, cuidem bem do vosso corpo.

– Cuidem também da mente. Lembrem-se de algo que gostariam de ter feito e não fizeram por falta de tempo, nomeadamente pintar, tocar música, cantar num grupo, escrever, fazer bricolage, etc.

– Evitem ver muita televisão, sobretudo os noticiários, que, para pessoas susceptíveis, faz muito mal. Que nos aproveita ver desgraças se não conseguimos evitá-las? Contentemo-nos em mudar nós próprios e então sim, poderemos mudar o mundo à nossa volta.

– No caso de viverem sozinhas, seria bom ter um animal doméstico e na impossibilidade de tal, pelo menos terem plantas para cuidar.

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