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Comichão, inflamação local e escoriações » Os males de uma doença crónica da pele

1 Maio, 2005 0

Eczema de contacto

Enquanto que durante muito tempo o eczema atópico foi considerado um eczema endógeno (a causa estaria dentro do organismo, não se encontrava uma causa exterior e não se aceitava que os ácaros tivessem um papel causal), o eczema de contacto sempre foi considerado um eczema exógeno, porque é o contacto com substâncias externas ao organismo que, clara e documentadamente, induz o aparecimento dos sintomas.

De facto, segundo Manuel Branco Ferreira, «o eczema de contacto caracteriza-se por ser uma reacção inflamatória originada pela sensibilização e consequente resposta inflamatória a determinadas substâncias, com as quais a pele contacta ou no seu dia-a-dia ou de vez em quando».

A maior parte dos eczemas de contacto são aos metais, como o níquel ou o crómio, aos químicos que existem nas fragrâncias ou em determinadas tintas e a alguns elementos minerais que existem na natureza.

Curiosamente, pode haver indivíduos alérgicos ao azul, ou seja, ao corante azul de uma peça de roupa. Note-se, aliás, que o azul é mais alergizante que outras cores.

As reacções alérgicas a estas substâncias não são muito diferentes da dermatite atópica, portanto ocorre prurido, vermelhidão e feridas. Já a localização é diferente da do eczema.

«As situações são inúmeras. Pode-se ter o desenho de um colar no pescoço se a alergia for ao material do colar; se for aos perfumes, o eczema aparece na zona onde se coloca (em geral, face e pescoço); se for aos brincos, surge na orelha; se for a uma tinta do cabelo, pode afectar todo o couro cabeludo; se for ao níquel pode, por exemplo, desenhar a marca do botão das calças de ganga no abdómen», diz Manuel Branco Ferreira, salientando que «o eczema de contacto afecta entre 10 a 20% das mulheres, porque usam mais bijutarias».

A localização é o principal factor de diagnóstico. Aliás, o principal meio de diagnóstico é o teste de contacto que após 48 horas indica se há uma reacção a determinada substância, que se manifesta por vermelhidão, borbulhas e comichão nesse local.

«O tratamento será evitar o contacto com aquilo que provoca o eczema de contacto, mas nem sempre é possível, sobretudo por questões profissionais. Nestes casos, tem de se fazer uma terapêutica anti-inflamatória forte, baseada em corticóides e, por vezes, pode até ser necessário usar antibióticos», explica o mesmo imunoalergologista.

Eczema, o número 1
da marcha alérgica

Em Portugal, estima-se que a dermatite atópica afecte 10% das crianças. Embora apenas 1 a 2% sofram de queixas graves, trata-se da doença crónica mais frequente durante o primeiro ano de vida. Aliás, em 80% dos casos manifesta-se nesta tenra idade.

«Quando a doença começa a manifestar-se mais tarde, tende a persistir mais tempo, mas quando aparece mais cedo, normalmente desaparece. Porém, em muitos casos, faz parte de um processo denominado marcha alérgica, ou seja, é o evoluir da doença alérgica ao longo do tempo, que começa como dermatite atópica e depois se “transforma” em rinite ou asma», explica Manuel Branco Ferreira.

Nesta lógica unificadora da doença alérgica com diferentes expressões consoante a idade, é comum indivíduos com rinite na idade adulta terem tido antecedentes pessoais de eczema atópico na infância.

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