Comichão, inflamação local e escoriações » Os males de uma doença crónica da pele
O diagnóstico é essencialmente clínico
Quanto ao diagnóstico, é essencialmente clínico. É, pois, feito pela análise das áreas cutâneas afectadas, pelo aparecimento da comichão, da vermelhidão e da inflamação.
Outro critério que ajuda a diagnosticar a patologia é a existência de familiares com rinite e/ou asma. Pode também ajudar o valor da IgE total – uma análise ao sangue que indica, de uma forma genérica, a predisposição de cada indivíduo para desenvolver alergias.
Já para se descobrir o alergénio ao qual a pessoa é sensível, que provoca uma reacção e que poderá estar na génese da doença, são fundamentais os testes cutâneos e de contacto. Note-se que nos primeiros são colocadas em ambos os antebraços várias gotas de soluções alergénicas, que depois são introduzidas dentro da pele com a ajuda de uma pequena lanceta; nos testes de contacto, é colado nas costas uma espécie de penso previamente embebido no alergénio e que permite a persistência do contacto do alergénio com a pele durante pelo menos 48 horas.
«Caso se faça os testes cutâneos a 100 indivíduos da população em geral, encontra-se cerca de 40% de pessoas com, pelo menos, uma resposta positiva a um dos alergénios. Mas só metade desses 40% é que eventualmente estão afectados por alguma patologia alérgica», observa o imunoalergologista, salientando:
«Os testes mostram a que se é alérgico, mas não é obrigatório que se desenvolva a doença. Por exemplo, se alguém que teve uma reacção positiva ao pêlo do gato, se nunca contactar com gatos, é provável que não venha a desenvolver qualquer doença alérgica.»
Como é sabido, existem três níveis de prevenção: primária, secundária e terciária. A primária é feita quando não há uma doença; a secundária quando há uma predisposição para o seu aparecimento; por fim, a prevenção terciária é aplicada aos portadores da doença e, regra geral, tem um carácter terapêutico.
Aplicada à dermatite atópica, a prevenção primária é injustificável. Já a secundária é dirigida aos indivíduos em risco e a terciária aos doentes.
«Devem fazer prevenção os filhos e irmãos de doentes que tiveram eczema na infância, bem como crianças em cuja família existem casos de alergia respiratória», menciona Manuel Branco Ferreira, enunciando alguns cuidados a ter na exposição ao principal alergénio – os ácaros do pó da casa:
«Evitar a acumulação do pó, usar capas protectoras para colchões e almofadas, manter a pele bem hidratada e, entre outros, usar roupa de algodão e evitar a de fibras, porque o suor faz aumentar a comichão.»
Medidas terapêuticas
O tratamento nos doentes visa prevenir e/ou tratar as crises mais intensas. Segundo aconselha o imunoalergologista, deve ser feito todos os dias, quer tendo os cuidados acima mencionados, quer através do uso de emolientes e hidratantes especiais, que são enriquecidos em determinados ácidos gordos e em ceramidas, que estão em deficiência na pele atópica.
«Idealmente, também o produto de lavagem deve ser especialmente formulado, com uma acção calmante na própria pele», ressalva o médico, continuando:
«Num indivíduo com eczema atópico fazemos uma investigação alergológica no sentido de identificar aquilo a que esteja sensibilizado – ácaros, alimentos ou pêlos de animais –, para que seja evitado o contacto. Depois, e consoante a situação, poderão ser aplicadas várias outras medidas terapêuticas.»

