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Cirurgia Estética do Esqueleto Facial

10 Janeiro, 2008 0

Ter a cara “torcida”, uma divergência dos maxilares sem “engrenagem” dos dentes, o queixo saliente ou recuado, ou uma exposição exagerada dos dentes ou da gengiva no sorriso, compromete a estética facial podendo causar pesados incómodos psicológicos e sociais, além de alterações da mastigação, da fala, problemas articulares e transtornos respiratórios, dos quais a apneia do sono é o mais grave.

Quais são as principais causas destas anomalias?

Na maioria dos casos as crianças crescem, aparentemente, sem qualquer problema facial ou dentário até aos 8-9 anos e, só a partir dessa altura, se começam a denotar sinais de desarmonia dentária e/ou facial cuja etiologia dificilmente se esclarece. São os seus médicos-dentistas que habitualmente chamam a atenção para a existência das anomalias e esclarecem os doentes sobre a possibilidade de tratá-las.

Porque vêm os doentes à consulta? Como se manifestam os problemas?

São três as razões que levam os doentes à consulta: problemas de estética facial – o doente quer melhorar a aparência da face, problemas de estética dentária – o doente não gosta da posição dos dentes anteriores e sintomas ou problemas funcionais – o doente tem dificuldades a mastigar ou a falar, tem dores nas articulações têmporo-mandibulares, ou sofre de apneia obstrutiva do sono.

Como se trata uma deformidade maxilofacial (DMF)?

O tratamento correcto de uma DMF compreende dois tipos básicos de procedimentos que se complementam: a utilização inicial de aparelhos ortodônticos fixos em ambas arcadas e, mais tarde, cirurgia designada “ortognática”. Os objectivos do tratamento são a correcção das anomalias funcionais, e, segundo o desejo dos doentes, a melhoria da estética facial.

Após a formulação do diagnóstico e do plano de tratamento inicia-se o tratamento de preparação ortodôntica. Esta fase dura cerca de 1 ano e meio. Serve para colocar os dentes numa posição que permita, durante a cirurgia, posicionar os dentes numa relação oclusal aceitável e proporcionar ao doente uma aparência agradável. Os aparelhos estarão presentes nas arcadas durante todo o período activo de tratamento.

:: Esta cirurgia é estética?

O objectivo estético é tão importante quanto o funcional. Nenhum doente aceitaria, após o tratamento, apresentar um aspecto facial pior do que aquele que tinha antes. Para os doentes com marcado défice estético é evidente que o objectivo facial é o mais importante. Muitos não só desejam como procuram a mudança. Cerca de 1/3 dos doentes não são operados por razões estéticas. Aqueles que procuram tratamento por alterações funcionais não desejarão, em princípio, alterar a sua fisionomia. Nestes casos, o objectivo cirúrgico passará também pela manutenção da sua aparência anterior.

À deformidade maxilofacial poderão associar-se outras anomalias nomeadamente do nariz e as orelhas, que poderão ser corrigidas simultaneamente.

Durante a cirurgia são criadas condições de forma a reduzir ao mínimo as perdas de sangue: uso de hipotensão controlada, infiltração local de vasoconstritores, dissecção restrita e rapidez de processos, de forma a dispensar as transfusões de sangue.

Em que consiste a cirurgia?

Sob anestesia geral e por via intra-oral “desarma-se” a estrutura óssea facial implicada e deslocam-se os segmentos, para posições previamente calculadas e ensaiadas em laboratório. Nas novas posições são fixados com placas e parafusos de titânio ou de material reabsorvível. Não haverá cicatrizes cutâneas.

A cirurgia demorará quantas horas?

Depende do plano cirúrgico. Se estiver previsto operar só o maxilar superior ou a mandíbula, demorará cerca de 1 hora e meia. Cirurgia bimaxilar (maxilar e mandíbula) duas horas. Se necessitarmos fazer algum complemento cirúrgico do tipo mentoplastia (queixo), rinoseptoplastia (nariz), otoplastia bilateral (orelhas), agregamos mais 1 hora.

Quais são os riscos e as complicações destes procedimentos cirúrgicos?

Estes procedimentos são muito complexos e sofisticados, requerendo alta diferenciação técnica e tecnológica e treino para os executar. Todo o risco diminui se uma intervenção cirúrgica for executada por um cirurgião qualificado e experiente.

Os riscos são os inerentes a toda a grande cirurgia executada sob anestesia geral. A especificidade da intervenção cirúrgica não aumenta o risco. Na cirurgia ortognática as complicações são raras. As lesões nervosas persistentes associadas à cirurgia da mandíbula são actualmente raras, já que as actuais melhorias técnicas visam evitar o seu dano.

As maiores complicações são iatrogénicas e resultam de erros de avaliação diagnóstica, estratégias mal escolhidas e cirurgia mal executada, tendo como consequência um resultando estético e/ou funcional inadequado, duvidoso ou insuficiente. É preocupante pensar que as sequelas cirúrgicas se podem sobrepor aos problemas pré-existentes e que levaram à cirurgia.

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