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Cirurgia Estética do Esqueleto Facial

10 Janeiro, 2008 0

Em que consiste a cirurgia? Sob anestesia geral e por via intra-oral “desarma-se” a estrutura óssea facial implicada e deslocam-se os segmentos, para posições previamente calculadas e ensaiadas em laboratório. Nas novas posições são fixados com placas e parafusos de titânio ou de material reabsorvível. Não haverá cicatrizes cutâneas. A cirurgia demorará quantas horas? Depende do plano cirúrgico. Se estiver previsto operar só o maxilar superior ou a mandíbula, demorará cerca de 1 hora e meia. Cirurgia bimaxilar (maxilar e mandíbula) duas horas. Se necessitarmos fazer algum complemento cirúrgico do tipo mentoplastia (queixo), rinoseptoplastia (nariz), otoplastia bilateral (orelhas), agregamos mais 1 hora. Quais são os riscos e as complicações destes procedimentos cirúrgicos? Estes procedimentos são muito complexos e sofisticados, requerendo alta diferenciação técnica e tecnológica e treino para os executar. Todo o risco diminui se uma intervenção cirúrgica for executada por um cirurgião qualificado e experiente. Os riscos são os inerentes a toda a grande cirurgia executada sob anestesia geral. A especificidade da intervenção cirúrgica não aumenta o risco. Na cirurgia ortognática as complicações são raras. As lesões nervosas persistentes associadas à cirurgia da mandíbula são actualmente raras, já que as actuais melhorias técnicas visam evitar o seu dano. As maiores complicações são iatrogénicas e resultam de erros de avaliação diagnóstica, estratégias mal escolhidas e cirurgia mal executada, tendo como consequência um resultando estético e/ou funcional inadequado, duvidoso ou insuficiente. É preocupante pensar que as sequelas cirúrgicas se podem sobrepor aos problemas pré-existentes e que levaram à cirurgia.

A minha cara vai ficar diferente? As modificações fisionómicas programadas devem corresponder aos desejos do doente. Para quem não está envolvido no tratamento é evidente que o que mais impressiona são a alterações faciais passíveis de atingir. Isto acontece nos doentes com défices estéticos marcados. E depois da cirurgia, padece-se muito? Depois da cirurgia o doente não estará entubado, poderá falar e a mandíbula estará livre para mover-se. Algumas horas depois poderá alimentar-se. O edema facial será moderado e a medicação será administrada por via intravenosa. Esta medicação terá em vista controlar o edema, prevenir dores e infecções e o reposicionamento hidroelectrolítico. Quanto tempo até ficar “visível”? O tempo médio de internamento é de 24 horas. Após a alta hospitalar poderá alimentar-se convenientemente, recorrendo a uma dieta líquida durante dois dias, e mole até ao fim da segunda semana. Em condições normais poderá voltar à actividade profissional em 10-12 dias. As anomalias de crescimento são sempre evidentes? Não, a existência de uma deficiência no crescimento da face nem sempre implica uma anomalia aparente. É curioso constatar que os deficits de crescimento, excepto quando exagerados (micrognatismos), não são habitualmente reconhecidos ou são bem tolerados. É comum que o recuo da mandíbula não seja notado durante a infância e a adolescência. Estes deficits de crescimento da mandíbula são, quase sempre, interpretados pelos pais como excessos de crescimento do maxilar superior, subvertendo por completo a realidade. Pior, é que muitos dentistas também fazem a mesma confusão, aplicando aparelhos e extraindo dentes no maxilar que nada tem de anormal, o superior. Estes tratamentos, não só alteram a harmonia facial com aparecimento prematuros de sinais de envelhecimento facial – flacidez, enrugamento, linhas de marioneta e papada, como contribuem para o aparecimento de distúrbios associados ao sono – roncopatia e apneia obstrutiva do sono. É frequente a preocupação das senhoras pelo aparecimento da “papada”, redundância dos tecidos moles, na região submentoniana. Muitas procuram na lipoaspiração a solução, outras no “lifting” cervico-facial. Ambas as soluções são inadequadas em presença de um recuo mandibular ou mentoniano. O tratamento adequado passará sempre pelo reposicionamento anterior da mandíbula ou do mento, associado ou não à lipoaspiração ou ao “lifting”. Uma cirurgia facial bem sucedida é o resultado de um bom entendimento entre o doente e o seu cirurgião. Nas consultas prévias à cirurgia desenvolver-se-á a confiança, baseada em expectativas realísticas e no reconhecimento da exigente perícia da equipa cirúrgica. Dr. Matos da Fonseca – Cirurgião Maxilofacial. Responsável pela área de Cirurgia Maxilofacial da Clínica Unimed Cascais.

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