Centro do país com menores taxas de consumo de sal
O projecto minorsal.saúde, da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), foi distinguido com a primeira menção honrosa nos Nutrition Awards 2010, iniciativa pioneira na área da Nutrição em Portugal. Este projecto tem conseguido reduzir o sal ingerido pela população da Região Centro.
O projecto minorsal.saúde engloba, presentemente, o projecto pão.come, já em curso desde 2006, e o projecto sopa.come, iniciado no ano de 2009, a nível experimental.
Ilídia Duarte, responsável pelo projecto, diz-nos que o minorsal.saúde “surgiu da necessidade de agrupar um conjunto de estratégias e acções delineadas em projectos, que apresentavam um objectivo comum que consistia em diminuir o sal ingerido pela população da Região Centro”.
Estes dois subprojectos distinguem-se, como o próprio nome indica, no tipo de alimentos intervencionados. “A acção do projecto pão.come passa directamente pela indústria de panificação, dependendo dos profissionais do sector, o seu sucesso. Neste caso, felicitamos estes industriais pelo seu envolvimento. Foi um processo importante pelo número de estabelecimentos envolvidos e acima de tudo porque estávamos a tentar mudar processos de confecção que têm dezenas de anos”, avança a responsável.
Quanto ao projecto sopa.come, embora o diagnóstico tenha sido realizado também em alguns restaurantes, o objectivo dos responsáveis passa por “intervir nesta primeira fase nas cantinas escolares, nas creches/infantários e nos lares, tendo como população-alvo as crianças e os idosos que frequentam estes estabelecimentos”, explica Ilídia Duarte.
Estas intervenções irão permitir obter ganhos em saúde, poupar vidas todos os anos, “pela diminuição do número de acidentes vasculares cerebrais e consequente diminuição da incapacidade resultante destas situações”. Com os dois projectos, pretende-se diminuir os valores de ingestão de sal em 4 g nos grupos atrás referidos.
Mais dez anos de trabalho
A curto prazo, este projecto promovido pela ARSC “pretende alicerçar as parcerias com a indústria alimentar, intensificar a informação dos consumidores e avançar para outros projectos que incluam outros alimentos. Contudo, temos de ser objectivos e cautelosos, sem descurar todas as interacções que poderemos estabelecer com outros possíveis parceiros”, adianta a responsável.
Além de pretenderem incluir outros tipos de alimentos, como os processados, os responsáveis planeiam ainda “a continuidade das negociações com a indústria alimentar e a realização de campanhas de sensibilização para a população em geral”.
A redução do sal de forma gradual, faz parte da metodologia de intervenção deste projecto, permitindo que os consumidores não sintam a diferença.
O minorsal.saúde tem um horizonte temporal até 2020. “O facto de ser um projecto delineado para 10 anos obriga a avaliações periódicas, com intervalos nunca superiores a um ano, dando-nos a oportunidade de adequar as estratégias às novas realidades encontradas, assegurando assim, uma maior conformidade no cumprimento dos objectivos”, diz-nos Ilídia Duarte.
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Alargamento ao resto do país
A rede de serviços de Saúde Pública que alicerça o minorsal.saúde, instalada a nível nacional, permite a aplicação da metodologia proposta nos seus dois projectos de intervenção, em qualquer área geográfica do país. “Esta estrutura organizacional diferencia-nos da maioria dos países e oferece-nos um enorme potencial de execução de projectos de saúde de intervenção comunitária.”

