Centro do país com menores taxas de consumo de sal
“A adopção deste modelo seria, na nossa perspectiva, de todo o interesse, condicionando este facto a melhoria dos indicadores de saúde alvo deste projecto”, salienta Ilídia Duarte.
Recentemente, o minorsal.saúde recebeu a 1.ª menção honrosa na categoria de Saúde Pública do Prémio Nutrition Awards, promovido pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas e pelo Grupo GCI; um prémio bastante relevante para todos os profissionais de saúde envolvidos e para a própria Administração da ARSC (ver caixa). “Sublinhe-se o empenho e dedicação de mais de 150 profissionais envolvidos no projecto. De igual forma, gostaríamos de dedicar o prémio com que fomos galardoados aos industriais da panificação que se têm manifestado tão solidários neste processo e que são, por certo, os actores principais nesta intervenção de saúde”, conclui Ilídia Duarte.
Dr. João Pedro Pimentel, presidente da ARSC
“O sal representa um factor de risco e um inimigo a combater”
O estado de saúde da população em geral e, neste caso, da população da região Centro, em particular, é uma preocupação assumida que, por conseguinte, nos obriga a intervir, quer no sentido de inverter indicadores negativos, como é o caso das doenças cérebro-cardiovasculares, quer no sentido de manter os óptimos índices que, felizmente, também apresentamos.
Portugal tem uma taxa de mortalidade específica por acidentes vasculares cerebrais alta (17 a 20 000 mortes/ano), sendo a hipertensão arterial um dos factores de risco mais relevantes. Um dos produtos culinários que mais contribuem para a pressão arterial alta, e para a doença oncológica, é precisamente o sal, que os portugueses consomem em excesso, mais do dobro da quantidade recomendada pela OMS. O sal representa assim um factor de risco e um inimigo a combater, e foi nesse sentido que surgiu o primeiro projecto de intervenção comunitária da ARSC destinado a reduzir a quantidade de sal num dos alimentos mais consumidos pela população portuguesa, o pão.
De uma forma gradual, sem se aperceberem, as pessoas começaram a ingerir pão com menos teor de sal até chegarem a um valor saudável. Os ganhos em saúde deverão ser contabilizados em tempo oportuno. No entanto, posso desde já adiantar que as expectativas são boas, a avaliar pelo crescente número de padarias aderentes ao projecto, os resultados das avaliações intercalares e o contínuo empenhamento dos técnicos de Saúde Pública da ARSC.
Redução de sal na sopa
A seguir ao pão, a sopa é também um dos alimentos mais consumidos – e recomendado no âmbito de uma alimentação saudável – no nosso país. Mas para fazer bem à saúde tem de ser confeccionada com muito menos sal do que aquele que, efectivamente, foi apurado através das análises efectuadas pelos nossos técnicos a várias amostras recolhidas em muitas cantinas. Na linha do pão.come, a ARSC está também neste momento a intervir a nível da gradual redução do sal na confecção da sopa, elegendo como grupo-alvo prioritário a restauração colectiva. Aliando menos sal no pão a menos sal na sopa, temos uma combinação ideal, saudável, que dará mais saúde à população da região Centro e a toda a população portuguesa se o nosso bom exemplo for seguido.

