Balança desequilibrada - Médicos de Portugal

A carregar...

Balança desequilibrada

4 Junho, 2009 0

O excesso de peso e a obesidade é um dos principais factores de risco para as doenças cardiovasculares.

Muito por via de uma associação perigosa entre os vários componentes de um estilo de vida em que não há equilíbrio entre as calorias ingeridas e as que são convertidas em energia.

Este é um problema – e de peso – para metade da população portuguesa, com 15 por cento desta fatia a atingir a obesidade. E não é apenas um problema dos adultos – é cada vez mais um problema das crianças, a crescer ao ritmo de uma vida demasiado sedentária e com hábitos alimentares pouco salutares.

É um facto que a genética também influencia esta balança, favorecendo o acumular de gordura. Também é um facto que o excesso de peso pode ser temporário, associado, por exemplo, à toma de medicamentos como os antidepressivos ou corticóides ou a alterações hormonais como as próprias da menopausa. Mas, na maior parte das vezes, as causas são comportamentais e os quilos a mais perduram se não houver alteração desses comportamentos.

E se nada for feito as consequências são muitas e graves: ao nível do aparelho cardiovascular, mas também do metabolismo (potenciando doenças como a diabetes) e do sistema respiratório (causando apneia do sono, por exemplo). E ainda dos aparelhos gastrointestinal (com maior tendência para a formação de cálculos da vesícula) e reprodutor (influenciando a fertilidade e favorecendo doenças dos ovários e da próstata, entre outras).

Sem falar nas repercussões do excesso de peso a nível social e psicológico – os obesos são discriminados na escola e no meio laboral, o que pode abrir caminho a sentimentos negativos, com perda de auto-estima e depressão.

É por estas razões que a obesidade é considerada uma doença. Uma doença que constitui uma alavanca para outras doenças, o que a torna ainda mais grave. A boa notícia é que é possível prevenir – aliás, é mesmo a segunda causa de morte passível de prevenção, logo a seguir ao tabagismo.

É ao nível do estilo de vida que é possível intervir para evitar os quilos a mais, para perdê-los e para manter um peso saudável. Investindo numa dieta alimentar equilibrada e numa actividade física regular. O que está subjacente é a necessidade de, por um lado, reduzir a ingestão de calorias e, por outro, aumentar o gasto de energia.

Quando a modificação comportamental não é suficiente para atingir os objectivos, avança-se para o tratamento farmacológico, estando disponíveis no mercado português medicamentos anti-obesidade, sujeitos a receita médica. E nos casos mais graves, os da chamada obesidade mórbida, a cirurgia pode ser recomendada, envolvendo a colocação de bandas gástricas para diminuir o tamanho do estômago e, assim, reduzir a quantidade de alimentos que se ingerem de cada vez.

Qualquer estratégia para perder peso (e manter o peso depois de eliminados os quilos a mais) deve contemplar mudanças seguras, sensatas e graduais. A solução não reside nas dietas restritivas, mas na assumpção de que as alterações devem ser permanentes. Sob pena de o esforço ser inglório e os quilos regressarem.

Páginas: 1 2 3

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.