Febre tifóide: Uma bactéria virulenta
É bastante virulenta a bactéria causadora da febre tifóide, doença endémica em muitos destinos turísticos. Aí todo o cuidado é pouco para não se ser infectado. E antes de partir o melhor é prevenir, vacinando.
Nos países industrializados é rara, mas no mundo em desenvolvimento constitui um grave problema de saúde pública, muito por via do deficiente saneamento básico. A ausência destas infra-estruturas, aliada a precários hábitos de higiene, potencia a proliferação da bactéria causadora da febre tifóide – a salmonella typhi.
É por via fecal-oral que esta bactéria penetra no organismo. Numa pessoa infectada, ela é expelida através das fezes e, por vezes, da urina. Se essa pessoa não lavar rigorosamente as mãos após cada ida à casa-de-banho e se, de seguida, manusear alimentos a consumir por outras pessoas está aberta a porta ao contágio. O mesmo acontece se se beber água que não tenha sido desinfectada – o que, quando a rede de abastecimento público e de esgotos é deficiente, é fácil: basta engolir umas gotas de água do duche para se correr riscos…
Não é de imediato que a infecção se manifesta, podendo passar uma a três semanas até que os sintomas surjam. Excepto nas crianças, que algumas vezes ficam doentes subitamente, os sintomas desenvolvem-se gradualmente.
Uma febre elevada, a rondar os 39 ou 40ºC, é o primeiro, acompanhada de dores de cabeça, fadiga e fraqueza, dores abdominais e garganta irritada. Diarreia (mais nas crianças) ou prisão de ventre (sobretudo nos adultos) também são frequentes. Pela segunda semana, pode aparecer irritação cutânea temporária, com pequenos pontos rosados a marcar a região inferior do tórax, na transição para o abdómen.
Se a doença não for tratada nesta fase, agrava-se. A febre permanece elevada, a prisão de ventre e a diarreia tornam-se mais severas. Há uma clara perda de peso, com distensão visível do abdómen.
Se continuar a não haver tratamento, outros sintomas surgem: o doente começa a delirar, permanecendo prostrado, num estado de exaustão com os olhos semi-fechados. É nesta fase que há risco de complicações.
Tratar para não complicar
A mais séria é a hemorragia intestinal, denunciada por uma súbita quebra na pressão arterial e pela presença de sangue nas fezes. Por vezes, ocorre perfuração do intestino, o que faz com que o seu conteúdo se espalhe pela cavidade abdominal causando sintomas como dor abdominal, náuseas, vómitos e podendo desencadear uma infecção do sangue.
É uma situação que requer intervenção de urgência.
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Mas há outras complicações da febre tifóide não tratada embora menos comuns, como por exemplo: inflamação do músculo cardíaco, pneumonia, pancreatite, infecções renais ou da bexiga e infecções da
coluna vertebral.
Sem tratamento, pode não se sobreviver à doença, mas com tratamento a maioria das pessoas recupera. Há, no entanto, algumas que, mesmo depois de tratadas, continuam a alojar a bactéria no seu organismo, nomeadamente na bexiga ou nos intestinos. São portadores crónicos da febre tifóide, o que significa que podem infectar outras pessoas apesar de não terem sintomas.
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