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Artrose da base do polegar » Mãos quase incapacitadas

6 Maio, 2007 0

Cerca de 30% da população feminina portuguesa sofre de artrose da base do polegar. A má notícia é que a doença não pode ser travada. A boa é que menos de duas horas de cirurgia podem resolver o problema.

Gestos simples, automáticos e mecanizados, tão habituais que nem damos por eles. A verdade é que a maioria das pessoas nem sempre dá a atenção devida às mãos e só se lembra quando já não é possível levar a cabo as tarefas habituais.

«Sempre tive problemas de ossos.» Teresa Silva começa, assim, a descrever os longos anos em que esteve presa a uma doença que lhe dificultava o seu desempenho no dia-a-dia. Uma menopausa precoce, aos 29 anos, sentenciou-lhe anos de problemas ósseos e com eles chegou a artrose carpometacarpiana do polegar, ou artrose da base do polegar, como também é conhecida.

«Tenho muitos problemas na coluna e tinha artroses nos dois polegares», comenta Teresa Silva.

O problema começou a revelar-se cada vez mais difícil de suportar:

«Não conseguia dormir, acordava com as dores, deixava cair as coisas, o mais pequeno esforço dava-me dores horríveis. Não conseguia sequer escrever. E o problema depressa alastrou ao braço inteiro e estava a atrofiar os nervos.»

Teresa trabalha no ramo da estética e as dores provocadas pela artrose na base do polegar acabaram por afectar o seu desempenho.

«Tinha a mão quase fechada, já quase não a conseguia abrir, os movimentos ficaram muito limitados e isso prejudicou-me no trabalho», conta.

Os receios e medos inerentes a uma intervenção cirúrgica fizeram com que adiasse a decisão e suportasse as dores.

«Pensei que as mãos iam ficar com mau aspecto e que ia ter aquele mal-estar depois da operação. Como tenho outros problemas de ossos e já passei por oito operações, pensava que sabia como era», afirma.

Antes de se submeter à intervenção cirúrgica, Teresa consultou vários médicos, quis ouvir a opinião de diferentes especialistas. O seu caso era um pouco mais grave, uma vez que o braço também estava afectado.

Cirurgia rápida, resultados eficazes

Menos de duas horas de cirurgia acabaram com os problemas e as dores de anos. Teresa ficou tão contente com os resultados que decidiu operar a outra mão menos de dois meses depois. A primeira cirurgia foi feita no final do mês de Janeiro, a segunda a 14 de Março.

Teresa Silva garante que os resultados não podiam ser melhores: «Não tive aquele mal-estar que pensava que ia ter depois da operação, as mãos ficaram bonitas, a cicatriz está pequenina e a recuperação está a correr bem.»

Relativamente à cirurgia, consiste em remover total ou parcialmente o trapézio, osso afectado pela artrose, e interpor um tendão, fazendo a reconstrução ligamentar da base do metacárpio.

O trapézio é destruído pela artrose, o que vai fazer com que o primeiro metacárpio provoque atrito com o trapézio. Estes dois ossos do polegar «roçam» um no outro, originando dor e inflamação.

O trapézio é retirado e o tendão é enrolado e colocado de modo a preencher o espaço entre o primeiro metacárpio e o escafóide, como que substituindo o trapézio, servindo também para fazer a reconstrução ligamentar ao nível da base do primeiro metacárpio.

Deste modo, a dor e a inflamação desaparecem e o doente pode voltar à sua vida normal. Em lugar do tendão, podem ser utilizadas próteses de silicone ou de pirocarbono para substituir o trapézio.

Ao fim de 15 anos de prática deste tipo de cirurgia, o Dr. Mota da Costa, cirurgião plástico dedicado ao sector de cirurgia da mão e médico integrado na Unidade de Ortopedia e Traumatologia do hospitalcuf descobertas, garante que nunca teve um caso de rejeição.

«O único caso mais complicado passou-se com uma paciente que partiu as próteses de silicone numa queda. Acabámos por substituir as próteses pelo tendão. Este é o material com que prefiro trabalhar por ser autólogo, isto é, pertence ao indivíduo», comenta o especialista.

A cirurgia é realizada em ambulatório e requer, apenas, uma anestesia local, conhecida como do plexo braquial.

«Estive lúcida o tempo todo, soube sempre o que se estava a passar», recorda Teresa Silva.

O tempo de cirurgia é, também, muito diminuto. Em hora e meia de intervenção, o doente sai do bloco operatório com a cirurgia feita. Pouco depois é-lhe dada alta do hospital, o que possibilita uma recuperação mais «caseira». Algumas consultas posteriores bastam para dar conta da evolução e recuperação do paciente.

Após a cirurgia, o doente tem de estar cerca de quatro a cinco semanas com o polegar imobilizado por talas. Pode parecer muito tempo, mas a verdade é que se trata de um pequeno passo, para quem esteve anos com os movimentos limitados. Depois deste período, inicia tratamentos de reabilitação, normalmente durante três meses.

Mota da Costa afirma que «o doente fica sem vestígios de intervenção e da artrose seis meses após a operação».

Teresa está, neste momento, a desenvolver tratamentos de reabilitação física na primeira mão a sofrer intervenção cirúrgica e tem a segunda mão imobilizada com uma luva de gesso. Confessa que ainda não leva uma vida normal, uma vez que as operações são muito recentes.

Mas, segundo Teresa, «os resultados são claramente positivos, apesar de ser um pouco desconfortável ter a mão imobilizada. Já não tenho dores, já consigo dormir à noite, a cicatriz praticamente não se vê e as mãos estão bonitas, sem as deformações que tinha antes».

As listas de espera nos hospitais públicos para este tipo de cirurgia são bastante longas, o que faz com que os utentes estejam a recorrer cada vez mais aos serviços de saúde privados.

O cirurgião do hospitalcuf descobertas assegura que «as pessoas procuram cada vez os privados, sobretudo aqueles que possuem seguros de saúde».

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