Artrose da base do polegar » Mãos quase incapacitadas
Teresa Silva faz parte da massa que opta pelos privados.
O que é a artrose da base do polegar?
Artrose carpometacarpiana do polegar, rizartrose ou artrose da base do polegar são designações para uma alteração degenerativa que leva à destruição osteoarticular entre a base do primeiro metacárpio e o trapézio. Isto significa que um dos ossos do polegar é danificado ou destruído.
O osso danificado é o trapézio e, como consequência, o primeiro metacárpio e o trapézio provocam atrito, o que provoca dor. Daí a necessidade de retirar o trapézio, na sua totalidade ou parcialmente, e entrepor o tendão ou a prótese entre o escafóide e o primeiro metacárpio.
As mais afectadas pela doença são as mulheres em fase pré ou pós-menopausa. É perto dos 50 anos que se dão as primeiras manifestações da doença.
Segundo Mota da Costa, «a relação de incidência de rizartrose entre sexos é de cerca de 90% para as mulheres. As autoridades médicas estimam, ainda, que cerca de 30% das portuguesas são afectadas pela doença».
Os primeiros sinais nem sempre são levados em conta. A dor no polegar, o inchaço, a dificuldade de movimentos são, normalmente, menosprezados.
Em casos mais graves e em estádios mais avançados, as pessoas podem sentir grandes dificuldades. Apertar um botão de uma camisa, descascar batatas, rodar a maçaneta da porta de casa ou carregar no botão do elevador podem revelar-se tarefas impossíveis de executar. No extremo, o problema pode levar à incapacidade laboral.
Mota da Costa alerta para a importância do diagnóstico precoce. Numa fase inicial, o tratamento é feito com anti-inflamatórios, para que a doença possa evoluir o mais lentamente possível. No seio da classe médica não se fala em anti-inflamatórios como modo de travar a artrose, mas sim num contexto de progressão lenta.
«A artrose da base do polegar não estagna. A única terapêutica capaz de pôr termo à doença é a cirurgia», refere o nosso interlocutor.
Há procedimentos que são desaconselhados antes da cirurgia. Muitos pacientes recorrem a tratamentos de reabilitação física como forma de minorar as dores. No entanto, o médico alerta para os perigos deste comportamento:
«Os tratamentos de reabilitação não devem ser feitos antes da cirurgia.
O único efeito que têm é piorar a situação. Deve fazer-se o possível para não esforçar a mão e, se possível, imobilizá-la com talas, mesmo no início da doença.»
Aquela terapêutica vai esforçar os ossos danificados, aumentar a dor e acelerar o processo de desenvolvimento da artrose. O que à partida parece e pretende ser de reabilitação pode transformar-se em destruição óssea.
Teresa Silva não foi excepção e tentou vários tratamentos, antes de recorrer à cirurgia.
«Tentei de tudo para acabar com as dores. Parafina, acupunctura, nada resultava. Até que decidi avançar para a cirurgia», menciona a nossa entrevistada, que também tentou os tratamentos de reabilitação, mas foi desaconselhada a fazê-los pelo médico.
«Ainda não foram encontradas justificações plausíveis para o aparecimento da rizartrose», comenta Mota da Costa.
Os médicos vêem, assim, o seu trabalho dificultado, uma vez que dispõem de poucos instrumentos para combater a artrose da base do polegar. A cirurgia é, ainda, o único tratamento definitivo e o mais eficaz ao eliminar a fonte de dor, o trapézio.

