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Alzheimer: Perdidos em si mesmos

9 Setembro, 2009 0

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Desse percurso faz parte uma dupla abordagem: farmacológica e não farmacológica. No campo dos medicamentos, são utilizados fármacos sintomáticos e os chamados fármacos da nova geração.

Os primeiros dirigem-se, como se depreende do nome, ao alívio dos sintomas mais incómodos da doença, deles fazendo parte os anti-depressivos, os neurolépticos, os ansiolíticos e os tranquilizantes, entre outros. São medicamentos que actuam sobre a agressividade e a insónia, por exemplo, visando estabilizar o comportamento dos doentes.

Já os medicamentos da nova geração actuam a nível cognitivo, nos domínios da memória e da concentração, existindo duas categorias distintas indicadas para a fase inicial a moderada da doença e para a fase moderada a grave. O tratamento não se esgota nesta vertente, com os doentes de Alzheimer a beneficiarem de intervenções comportamentais.

Uma das terapêuticas visa orientar para a realidade, apoiando o conhecimento e desempenho no ambiente que os rodeia. Outra das alternativas é a terapêutica de validação, que envolve o reconhecimento e reforço dos sentimentos subjectivos dos doentes. Em ambas a comunicação é uma ferramenta valiosa.

Os doentes de Alzheimer vivem num mundo só seu, em que as pessoas, os objectos, o espaço e o tempo perdem significado. As capacidades e as competências vão sendo afectadas e gestos tão banais como tomar banho ou comer deixam de ter sentido. Em consequência, é grande o risco de abandono das funções básicas da sobrevivência.

A alimentação é, com frequência, negligenciada, com o estado nutricional dos doentes a ficar fragilizado à medida que a doença avança. No início, tanto pode haver recusa dos alimentos como esquecimento. Também pode acontecer o contrário: uma compulsão para comer, que conduz a um aumento temporário de peso. O mais comum é, no entanto, que haja perda de quilos.

Numa fase intermédia da doença, já não é a memória que interfere com a alimentação, mas sim a menor capacidade de concentração, de comunicação e de coordenação motora. Os doentes abandonam a rotina das refeições, o que, mais uma vez, se reflecte no peso, com a agravante de, nesta altura, haver uma maior necessidade calórica devido às deambulações erráticas.

Já na fase mais avançada da doença, os doentes tendem a comer compulsivamente e a ingerir objectos não comestíveis, ao mesmo tempo que se assiste a uma regressão no comportamento alimentar: tal como uma criança, não conseguem comer sozinhos porque não sabem o que fazer com os alimentos, seja no prato, seja na boca, nem sabem usar os talheres. O risco de desidratação e desnutrição é elevado.

Nesta fase é indispensável a intervenção do cuidador: para adaptar as refeições ao doente, para prevenir os acidentes, para criar um ambiente propício e garantir um adequado estado nutricional.

A par da alimentação, também a higiene acaba por ser negligenciada. Os doentes não reconhecem sentido aos cuidados pessoais, nem a sequência de gestos envolvidos.

Precisam de ajuda, mas este é um domínio sensível porquanto diz respeito à intimidade. Numa primeira fase, é conveniente incentivar o doente a fazer a sua própria higiene, recordando-lhe os diversos passos, quer no banho, quer na higiene oral e nos demais cuidados pessoais.

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