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Alzheimer: Perdidos em si mesmos

9 Setembro, 2009 0

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Apesar das dificuldades, é importante que os doentes mantenham uma boa aparência e que se sintam bem na sua pele. Para esse objectivo contribui também o apoio na hora de vestir e despir. Podem ser tarefas árduas para quem tem dificuldades de discernimento e de coordenação motora, mas é possível orientar os doentes sem que eles se sintam inúteis: por exemplo, seleccionando as peças e organizando-as pela ordem em que devem ser vestidas, escolhendo roupas confortáveis e práticas.

Vestuário com abertura fácil também é útil para lidar com outro problema comum aos doentes de Alzheimer: a incontinência.

 

Voltas trocadas

Além da memória, também a capacidade de localização no tempo e no espaço é afectada. E, de um dia para o outro, os doentes deixam de conseguir encontrar caminhos. Perdem-se na própria casa, na vizinhança. E desenvolvem comportamentos estranhos como a deambulação errática.

O risco de desaparecerem ou de terem a vida em perigo é, pois, elevado, mas pode ser minimizado. Assim, os doentes devem andar sempre identificados, os vizinhos e comerciantes próximos devem ter conhecimento do seu estado, a possibilidade de saírem de casa sozinhos deve ser reduzida.

A confusão não afecta apenas os passos dos doentes: eles escondem objectos e depois esquecem-se de onde os deixaram, comportam-se como se estivessem sempre à procura de alguém ou de algo.

Em qualquer uma destas circunstâncias carecem de ajuda: para voltar a casa ou para encontrar o que perderam. Mas, por mais difícil que seja, há que resistir à tentação de os recriminar: fazê-lo aumenta a insegurança e pode estimular a agressividade.

A agressividade espreita nestes doentes, o que é, desde logo, explicado pelo facto de não reconhecerem a nova realidade nem saberem lidar com ela. Não ser capaz de realizar tarefas banais e rotineiras, não conseguir identificar pessoas e lugares, não se recordar de acontecimentos e rostos familiares, ter dificuldade em comunicar é, afinal, razão mais do que suficiente para que os doentes de Alzheimer se sintam confusos, frustrados, reagindo com oscilações do humor, instabilidade e agressividade.

É um tumulto de emoções ao assalto dos doentes e dos seus cuidadores, para quem o Alzheimer é um fardo muito pesado. Também eles precisam, pois, de ajuda.

 

Esquecimentos e esquecimentos

É normal que a idade afecte a memória, mas os esquecimentos próprios da doença de Alzheimer são de outra natureza. Distinguilos é útil para agir o mais precocemente possível. Assim:

• Um idoso pode ter dificuldade em lembrar-se de parte de um episódio, enquanto um doente de Alzheimer esquece acontecimentos e experiências na totalidade;

• Um idoso acaba por recordar-se mais tarde, um doente de Alzheimer não;

• Um idoso mantém a capacidade de seguir indicações, verbais ou escritas, mas um doente de Alzheimer não;

• Um idoso consegue usar notas, enquanto um doente de Alzheimer tem cada vez mais dificuldade em fazê-lo;

• Um idoso mantém geralmente a autonomia, mas um doente de Alzheimer vai ficando incapaz de tomar conta de si próprio.

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