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8 de Setembro » Dia Mundial da Fisioterapia

8 Setembro, 2005 0

“Os paradoxos sobre a prestação da fisioterapia no nosso país e a necessidade de auto regulação”

Dia 8 de Setembro comemora-se o Dia Mundial da Fisioterapia. Este dia foi instituído pela Confederação Mundial de Fisioterapia (WCPT), organização representativa de mais de 250,000 de fisioterapeutas em todo o Mundo.

Tal comemoração suscita-nos alguma reflexão sobre a prestação de cuidados de fisioterapia ano nosso país, em especial analisar as grandes diferenças à luz do que se passa em outros países da Europa.

Encontramos graves problemas, em grande parte devido a ausência de regras ao nível da sua integração no sistema de saúde e não pelos seus profissionais que detém, lá como cá, a capacidade de prestar cuidados da maior qualidade, interagindo com doentes, famílias e comunidade e também com os outros profissionais de saúde.

Temos um Serviço Nacional de Saúde cuja porta de entrada é o Centro de Saúde. Apesar de haver grande número de fisioterapeutas interessados em trabalhar nos Centros de Saúde, tem-se manifestado quase impossível o seu ingresso e, naqueles em que existem o número é tão diminuto que se torna impensável a sua participação em todas as áreas para que está vocacionado: a saúde da mulher e da criança, Nprogramas de higiene/educação postural;

Programas de educação para o movimento, no campo da saúde do idoso, seu acompanhamento no domicílio na perspectiva de ensino aos familiares, eliminação de barreiras arquitectónicas. Por outro lado encontramos em Centros de Saúde fisioterapeutas a trabalhar na área dos cuidados curativos para a qual não é claramente a vocação daqueles.

A nível dos cuidados continuados, hoje uma das prioridades do actual governo, o apoio do fisioterapeuta é pontual e não encontramos nos documentos publicados menção ao relevante papel desempenhado por estes profissionais de saúde nas equipes pluridisciplinares que os prestam. À semelhança do que se passa na Europa e para uma efectiva resposta à necessidades da população, torna-se imperiosa uma rápida integração dos fisioterapeutas naquelas equipas actuando em articulação com as instituições de saúde e de apoio social.

Nos hospitais portugueses, onde exerce a sua actividade uma grande parte da população dos fisioterapeutas e em que a legislação é clara no que respeita ao acesso aos cuidados de fisioterapia a situação é paradoxal: os fisioterapeutas em vez de se encontrarem inseridos em unidades funcionais de fisioterapia, hoje já previstas na lei, encontram-se inseridos, em serviços de reabilitação; reabilitação essa, que não existe na verdadeira acepção da palavra, mas tão somente serviços dominados por especialistas de medicina física e reabilitação, que reclamam do direito de serem prescritores únicos de fisioterapia. Esta situação é tanto mais estranha quanto, por um lado, os fisioterapeutas não necessitam de prescrição, (mas tão somente de uma indicação médica, tal qual a legis artis o permite e está legalmente consagrado) como, por outro lado, é restringida uma resposta transversal eficiente da fisioterapia a todos os serviços hospitalares. Tal situação é ainda mais estranha, quanto pode evidenciar uma limitação a outros médicos, do direito destes de solicitar a colaboração de qualquer outro profissional de saúde, neste caso, o fisioterapeuta. A acrescentar que o cada vez mais curto tempo de internamento hospitalar, não se compadece com uma intervenção de uma equipa de reabilitação, nem tão pouco um projecto de reabilitação, esse sim, a ser realizado a nível de cuidados terciários.

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