Gravidez e tabagismo: A combinação imperfeita
Na verdade, a nicotina é uma substância que apresenta inúmeros problemas vasculares e ao nível da placenta. “Se a mãe continua a fumar, o bebé também fuma, e o mesmo se passa quando nos referimos à exposição ao fumo passivo”. Mesmo na situação em que a mãe não é fumadora activa, há estudos que mostram que os constituintes do tabaco dos fumadores ao seu redor passam pelo cordão umbilical e são prejudiciais ao bebé.
Eduarda Pestana vai ainda mais longe nas recomendações que faz às futuras mães. “O ideal é que a grávida esteja num ambiente completamente seguro e sem fumo. Seria exemplar se o companheiro deixasse também de fumar, porque ambos vão ter um bebé em casa e o seu ambiente deve ser o mais seguro possível. O bebé é completamente indefeso e deve ser protegido”.
Tratamentos possíveis
Só 30% das mulheres é que deixa, efectivamente, de fumar no início da gravidez. “A maior parte reduz o número de cigarros e há um grupo que deixa de fumar mais tardiamente”, adianta a pneumologista. As percentagens não ficam por aqui pois sabe-se que “cerca de 80% das mulheres recaem depois do parto e 70% nas primeiras seis semanas.
Se estão a amamentar, ainda se aguentam mais algum tempo porque sabem do efeito nocivo que o tabaco tem ao passar através do leite materno para o bebé. No entanto, passado o período de amamentação, acabam por recair”. Eduarda Pestana define esta situação como “muito preocupante”. Apesar desta evidência, a responsável da consulta de tabagismo do HPV afirma que assiste a poucas grávidas, “o que não deixa de ser curioso porque as futuras mães não têm de ficar na lista de espera e têm acesso a uma consulta imediatamente se o requisitarem”.
Os candidatos às consultas de cessação tabágica do HPV devem ser referenciados pelo médico que os acompanhe. “O ideal é que a pessoa esteja motivada para deixar de fumar pois esta consulta é especializada e direccionada para a cessação tabágica”, conclui Eduarda Pestana.
Riscos associados ao tabaco na gravidez
– Infertilidade. O tabaco reduz os níveis de estrogénio;
– Menopausa precoce, anomalias menstruais;
– A pílula associa-se a uma maior ocorrência de tromboses. As mulheres que tomam a pílula, não devem fumar. A pílula e o tabaco “conjugam” muito mal;
– Os bebés sofrem as consequências do fumo passivo. Sabe-se também que os jovens que fumam, regra geral, são filhos de pais fumadores. O modelo de base familiar é muito importante;
– Vertente estética: na verdade, as mulheres que fumam têm mais rugas, a pele mais baça, já para não falar dos dentes e dedos amarelos.
Estudos realizados recentemente não deixam margem para dúvidas. As raparigas estão a fumar cada vez mais, ao contrário dos rapazes. Na grande maioria dos países da Europa, as raparigas já fumam mais que os rapazes e começam a fumar, cada vez mais novas.
Esta realidade serviu de ponto de partida para a conversa que tivemos com a Dr.ª Eduarda Pestana, pneumologista do Hospital Pulido Valente (HPV) e responsável pela consulta de tabagismo deste hospital. “As consequências desta realidade serão visíveis daqui a 20 ou 30 anos. A tendência é para que se registe um aumento das doenças relacionadas com o tabaco, o que irá acarretar graves problemas de saúde nas mulheres”, diz-nos.

