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Fobias: Ansiedade sem limites

17 Abril, 2017 0
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Se a pessoa tem medo de voar, pode sempre evitar o avião como meio de transporte e preferir o automóvel ou o comboio para as suas deslocações. Se tem medo de elevadores, a alternativa é sempre vencer os andares pelas escadas, mesmo que isso implique um grande esforço. Mas se o medo for desencadeado por trovões, o Inverno pode ser fonte constante de ansiedade, já que ao homem não cabe o controlo dos fenómenos meteorológicos.

Um terceiro tipo de fobia prende-se com os espaços abertos, as multidões. Trata-se da agorafobia, que herdou o nome da palavra grega “agora”, ou seja, praça pública. Para estas pessoas o único lugar seguro é a própria casa, em público sentem-se sempre em perigo. É um medo generalizado de lugares de onde possa ser difícil escapar rapidamente ou o auxílio possa não estar disponível. Medo de centros comerciais, por exemplo. De tal modo que estas pessoas acabam por ter medo de sair de casa e só o fazem se estiverem acompanhadas.

Normalmente as pessoas afectadas pela agorafobia desenvolvem também crises de pânico, devido ao medo de ficarem “sem saída”.

Vencer o medo

São muitos os factores que se conjugam para tornar uma pessoa mais ou menos predisposta, factores ambientais, biológicos, emocionais e cognitivos.

O tratamento é, no entanto, possível e faz-se habitualmente associando medicamentos a psicoterapia. Os primeiros – quase sempre ansiolíticos – ajudam a controlar a ansiedade, enquanto a terapia auxilia na compreensão dos factores que desencadeiam os sintomas da fobia. Através da terapia, o indivíduo aprende a enfrentar a causa do medo. Gradualmente é exposto a essa situação ou objecto, para que o medo vá diminuindo até desaparecer.

Em grupo ou individualmente aprende-se a vencer o medo. Primeiro, identificando as situações que o causam, depois identificando os lugares que a pessoa não consegue frequentar sem estar acompanhado.

Depois ainda, procura-se analisar em qual desses espaços poderá, apesar de tudo, ser mais fácil estar sozinho. E começa-se a frequentá-lo: a pouco e pouco o desconforto vai sendo menor. O resultado não é imediato, mas este exercício é considerado eficaz.

A verdade é que as fobias podem ser bastante perturbadoras na vida de uma pessoa. Limitam-lhe o quotidiano, condicionam-lhe os comportamentos, arrastam-na para becos sem saída de uma gravidade excessiva atendendo a que a própria pessoa reconhece que o medo que sente é irracional e que o perigo muitas vezes é apenas simbólico, irreal.

Da ansiedade à depressão é um passo, de uma vida normal a uma vida dependente de álcool e drogas é um salto muito frequente nos casos de fobias. Daí a importância de identificar quanto antes os objectos ou situações que desencadeiam o medo. Evitá-los não é a solução, o medo não acaba, apenas é adiado. Enfrentá-los, isso sim, é meio caminho andado para vencer as angústias e o medo.

Há quem tenha medo de flores (antofobia), o que inviabiliza aquele gesto romântico tão querido às mulheres – as rosas (e aos homens…); há quem tenha medo do trabalho (ergofobia), o que, convenhamos, não dá muito jeito; e há quem tenha medo de tudo (pantofobia), o que pode ser muito difícil de gerir.

Medos ou manias?

Manias e fobias são muitas vezes confundidas, mas convém esclarecer que se trata de desordens mentais diferentes, embora as manias, quando muito agravadas, se possam transformar em obsessões fóbicas. Em comum têm o facto de poderem ambas ser verdadeiramente escravizantes.

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