Memória & concentração: Lembranças & esquecimentos - Médicos de Portugal

A carregar...

Memória & concentração: Lembranças & esquecimentos

3 Novembro, 2011 0

A memória não está localizada numa estrutura isolada no cérebro. Ela é um fenómeno biológico e psicológico que envolve uma aliança de sistemas cerebrais que funcionam juntos. A diferença entre memorizar a data de aniversário de alguns amigos e aprender a andar de bicicleta reside no facto de existirem diferentes categorias de memória.

A memória não é mais que um mecanismo de retenção de informações. É através desse processo complexo que as nossas experiências são arquivadas e recuperadas quando precisamos delas. A memória está intimamente associada à aprendizagem, pois ela constitui a habilidade de conseguirmos mudar o nosso comportamento através das experiências que foram armazenadas.

A aprendizagem não é mais que a aquisição de novos conhecimentos, enquanto a memória é a retenção dos conhecimentos aprendidos.

Toda a nossa vida, aprendemos coisas e lembramo-nos de factos e experiências, mas estes não são processados sempre pelo mesmo mecanismo neural. Existem diferentes categorias de memórias: de uma maneira geral podemos classificar a memória em recente e de longo prazo. Esta pode dividir-se em memória declarativa, que é a memória para factos e eventos – como números de telefone, factos históricos, datas, entre outros; e a memória processual relacionada com os procedimentos e actividades, de que são exemplo a habilidade para conduzir, jogar à bola ou andar de bicicleta.

 

Consolidar pela repetição

A memória para datas é mais fácil de se formar, mas ela é facilmente esquecida, enquanto a processual tende a requerer repetição e prática.

Quando alguém nos dita um número de telefone, rapidamente somos incapazes de nos lembrarmos de parte ou de todos aqueles números. Isso porque existe uma memória que é temporária, e que é limitada na sua capacidade, sendo armazenada por um tempo muito curto no cérebro, na ordem de um segundo a poucos minutos, podendo chegar a 24 horas. Esta memória é chamada de memória de curta duração.

Para que ela se torne permanente, requer atenção, repetições e ideias associativas. Mas, através de um mecanismo ainda não conhecido, é comum uma pessoa lembrar-se subitamente de um facto esquecido, como aquele número de telefone…

Neste caso, a informação foi armazenada na memória de longa duração, a qual é mais permanente e tem uma capacidade muito mais ampla.

O processo de armazenar novas informações na memória de longa duração é chamado de consolidação. Uma elaboração do conceito da memória de curta duração que tem sido feita nos últimos anos é a memória operacional, um termo mais genérico para o armazenamento da informação temporária.

Muitos especialistas consideram memória de curta duração e memória operacional como a mesma coisa.

Entretanto, uma característica chave que distingue uma da outra é não somente o seu aspecto operacional, como também as múltiplas regiões no cérebro onde o armazenamento temporário ocorre. Isto significa que podemos não ser conscientes de todas as informações armazenadas ao mesmo tempo na memória operacional, nas diferentes partes do cérebro.

Tomemos como exemplo o acto de conduzir um carro. Esta é uma tarefa complexa que requer diversos tipos de informações processadas simultaneamente, tais como a informação sensorial, cognitiva e motora. Parece improvável que estes vários tipos de informação sejam armazenados num único sistema de memória de curta duração.

Páginas: 1 2 3

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.