Palavras difíceis
A primeira palavra de um filho é sempre um momento muito ansiado pelos pais. Mas, por vezes, ela chega mais tarde do que o esperado. Será normal ou um problema de desenvolvimento?
Cada criança é única e essa individualidade é visível mesmo entre dois filhos de um mesmo casal, com cada um a desenvolver-se a um ritmo próprio.
Mas há momentos que deixam os pais mais ansiosos, na expectativa de que aconteça e receando um eventual atraso: o dos primeiros passos é um deles, o das primeiras palavras outro. E nesses momentos é quase inevitável uma comparação com o irmão mais velho ou com os filhos das amigas. Estará atrasado? Haverá algum problema?
São questões que os pais colocam a si próprios. É verdade que há crianças que começam a falar mais cedo do que outras, mas haverá uma idade certa para as primeiras palavras, o tão esperado “mamã” ou “papá”? A resposta à questão implica uma distinção entre a fala e a linguagem.
A fala é mais restrita, consistindo na expressão verbal da linguagem e incluindo a articulação de sons de modo a formar palavras. Já a linguagem é mais abrangente, envolvendo todo o sistema de receber e expressar informação de forma a que os outros percebam, a que faça significado – tem a ver com compreender e ser compreendido e diz respeito a toda a comunicação, seja ela verbal ou não verbal, falada ou escrita.
A linguagem vem, pois, primeiro, só depois surgindo a fala. E ela surge por patamares de desenvolvimento, correspondendo a determinadas idades.
Assim, nos primeiros meses de vida, os bebés usam a voz para se relacionarem com o ambiente, interagindo com os demais através do som. Mas é só pelos nove meses que começam a juntar os sons e a usar diferentes tons na comunicação.
A partir daí, em regra, são de esperar as primeiras palavras, quase sempre “mamã e papá”, que repetem sem saberem o que significam. Antes dos 12 meses é necessário estar atento ao modo como os bebés reagem aos sons – um bebé que não volta a cabeça na direcção da voz pode, por exemplo, ter problemas auditivos que importa despistar o mais cedo possível.
Entre os 12 e os 15 meses, o “discurso” vai-se alargando, com mais algumas palavras como “bola” ou “bebé”. Nesta idade, os bebés devem ser capazes de compreender e seguir instruções simples, como “pára”.
Aos 18 meses, as crianças já devem possuir um vocabulário com 20 palavras e quando chegam aos dois anos deverão ser capazes de dizer 50 ou mais palavras, completas ou parciais. Aos dois anos também já sabem juntar duas palavras e seguir instruções em dois passos como “por favor apanha o brinquedo e dá à mãe”.
Dos dois aos três anos dá-se um salto espectacular na fala infantil. O vocabulário expande-se significativamente, a criança já é capaz de juntar três ou mais palavras numa frase. A compreensão também se alarga e a criança consegue identificar cores e conceitos como “grande” por oposição a “pequeno”.

