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Dente por dente…

10 Setembro, 2012 0

Hoje em dia, já não existem desculpas para torcer o nariz quando lhe pedirem um sorriso de orelha a orelha. Ter uma boca sã está ao alcance de qualquer pessoa: basta, para isso, fazer apenas duas a três escovagens diárias. Se prevenir sai mais barato do que remediar, porque não começar a investir, desde cedo, numa dentição à prova de cáries?

Um estudo realizado pela Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) revela que 36% das crianças dos 1 aos 7 anos apresentam cáries. E, entre os 8 e os 16 anos, 47% tinham cáries na dentição permanente. Segundo o Dr. Luís Valadares, médico dentista, a cárie dentária é um dos problemas mais frequentes na infância e na adolescência.

“Apesar de haver uma melhoria progressiva destes valores, os dados são preocupantes. De acordo com as metas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em matéria de saúde oral, espera-se que, até 2020, pelo menos 80% (em Portugal, os valores rondam os 51%) das crianças com seis anos esteja livre de cáries. Outra das directrizes aponta para que, aos 12 anos, não haja mais de que 1,5 dentes cariados, perdidos e obturados.”

Para o especialista, “estas situações estão na origem da dor, perda prematura dos dentes de leite, o que poderá causar alterações na cronologia de erupção dos dentes definitivos”. Em última instância, “pode vir a ser necessário usar aparelhos dentários de correcção”, acrescenta.

Na esmagadora maioria dos casos, os fracos cuidados de higiene oral e os maus hábitos alimentares justificam o aparecimento de cáries. Assim, e para se evitarem males maiores, Luís Valadares reforça a importância da prevenção primária: “Os pais devem iniciar a higiene oral dos seus filhos desde o nascimento. Primeiro, com uma gaze e soro, limpando os restos de leite das gengivas. E, depois, por volta dos quatro meses de idade com uma escova adequada para que a criança se habitue.”

Embora a esmagadora das crianças use chupeta ou chuche no dedo, Luís Valadares adverte para o perigo de este hábito se prolongar para além dos dois anos de idade. Em gíria médica, a “mordida aberta” consiste na incapacidade de “sobrepor os dentes da frente do maxilar superior com os da arcada inferior”. Até aos três anos de vida, é possível corrigir a mordida aberta, “removendo o estímulo que a está a provocar”, indica o especialista. Depois dessa idade, “não existindo nenhum hábito parafuncional”, a correcção passa por uma eventual utilização de aparelhos funcionais.

 

Desfazer os tabus

Ir ao dentista ou não ir? Eis uma questão levantada por muitas grávidas. Mas, apesar de inúmeros tabus, a Prof.ª Virgínia Milagre, médica estomatologista, diz que não há razões para ter medo, até porque, no período de gestação, é frequente surgir uma situação que os médicos designam por “gengivite gravídica”. “Os estudos mostraram haver uma correlação entre a gengivite gravídica e o risco de parto prematuro”, aponta a especialista.

“As alterações hormonais durante a gravidez modificam o PH da saliva e alteram a flora bacteriana, razão pela qual existe uma maior propensão a sofrer inflamação das gengivas e até sangramento”, acrescenta. “Contrariamente ao que diz o ditado, hoje em dia, as mulheres já não têm razões para perder dentes durante a gestação, caso tenha cuidados de higiene.”

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