Dente por dente…
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Assim, antes de planear ter um filho, a mulher deve realizar uma consulta no dentista, até mesmo para tratar eventuais cáries, já que certos estudos provam existir um risco de transmissão da progenitora para o bebé. “O simples acto de soprar a sopa ou o de chupar a tetina são o suficiente para que a cárie passe para a criança.”
Embora algumas mulheres fiquem de pé atrás na hora de efectuarem alguns tratamentos dentários, Virgínia Milagre diz que não há motivo para alimentar os tabus. “Actualmente, a quantidade de radiação de uma radiografia apical (localizada) é tão pequena que seria preciso efectuar milhares de exames para que isso produzisse efeitos no feto. Mas ainda há profissionais de saúde que se privam de tirar uma radiografia, precisamente por causa das falsas ideias que alimentam sentimentos de medo.”
O mesmo em relação à administração de anestesia ou antibióticos: “Há fármacos inócuos e que podem ser usadas pelas grávidas sem qualquer problema, desde que sejam prescritos pelo médico dentista ou obstetra. Se a gestante tiver dores tem de ser tratada e até pode desvitalizar um dente, caso haja envolvimento do nervo, resultante de uma cárie.”
Consulta gratuita para gestantes
Estar grávida não é, portanto, motivo para evitar ter os cuidados necessários de saúde. Este foi, aliás, o mote para que Virgínia Milagre, depois de ter conhecido uma iniciativa no estrangeiro, apresentasse a ideia de fundar uma consulta da grávida e dos bebés dos 0 aos 3 anos em Portugal. A proposta foi acolhida pelo Instituto Superior de Ciência da Saúde Egas Moniz e, em 2004, nasce a primeira consulta de Medicina Dentária destinada exclusivamente a estes grupos.
Embora se trate de uma entidade privada, os cuidados de saúde oral são disponibilizados a custo zero. Qualquer grávida ou puérpera (desde que acompanhada durante a gestação) e os respectivos rebentos até aos 3 anos de idade podem aceder a esta consulta, independentemente da área de residência. Para isso, basta marcar o número 21 294 67 27.
A especialista indica que, em pouco mais de cinco anos, os resultados são já bastantes animadores: “os filhos das mulheres seguidas durante a gravidez não apresentam cáries”. Estes dados provam que “a implementação de hábitos de higiene regular” faz toda a diferença quando se fala em saúde oral, já que “a principal causa de problemas orais deriva da falta de cuidados”.
Apostar na prevenção
As lesões gengivais e as cáries estão entre as principais complicações orais no adulto, atingindo, respectivamente, 78 e 70% deste grupo etário. Segundo o Prof. José Pedro Figueiredo, presidente da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentário (SPEMD), em causa estão situações graves que podem comprometer o “suporte ósseo”, responsável pela fixação dos dentes nas arcadas.
Para o especialista, uma das consequências da falta de higiene oral é a perda de dentes. “Praticamente todos os adultos sofrem de desdentações parciais, o que nos leva a crer que a saúde oral, no século XXI, ainda é altamente deficitária no nosso país.” O mesmo especialista adianta, no entanto, a prevenção primária é a palavra-chave para manter uma boa cavidade oral.

