Especial azia: Dores da gula…
Chamam-lhe pecado por algum motivo… A gula é, de facto, devastadora para o estômago. Tudo porque comemos até mais não, devorando quantidades de alimentos que, bem vistas e pesadas as coisas, ultrapassam o limite do razoável…
As consequências começam quase de imediato. Surge uma sensação de desconforto na parte superior do abdómen, normalmente negligenciada ou tratada com uma água gaseificada para desencadear um arroto desejado, que parece aliviar, mas que nos deixa, quase sempre, com um travo amargo na boca. O incómodo aumenta e incendeia o peito, altura em que procuramos, no sofá ou na cama, encontrar a melhor posição que, definitivamente, ponha fim à tormenta. Mas a azia só vai piorar…
Os sintomas do refluxo gastro-esofágico, normalmente designados por azia, são conhecidos da generalidade das pessoas, depois de uma comezaina regada ou de um sono sem fazer a digestão. E assim sucede porque o refluxo está associado à pressão exercida sobre o estômago.
Esófago e estômago são os órgãos do aparelho digestivo envolvidos no processo de azia. O primeiro transporta os alimentos da boca até ao estômago, onde os alimentos se misturam com o ácido gástrico que vai facilitar o processo de digestão. A azia acontece quando parte do conteúdo do estômago é devolvido ao esófago, causando mal-estar – é que o esófago não está preparado para receber ácido, e quando isso acontece as paredes ficam irritadas, reflectindo-se na sensação de ardor. Esta subida do ácido deve-se a uma perda de tonicidade do esfíncter, o músculo que separa o esófago do estômago, e que actua como uma válvula. Quando a válvula está relaxada, o ácido tem uma porta aberta para entrar no esófago.
O mesmo acontece quando há uma grande pressão sobre o estômago – por exemplo, quando a pessoa se deita após uma refeição… quando usa roupas muito apertadas na cintura… ou, ainda, nos casos em que é manifesto o excesso de peso.
A regurgitação (os alimentos regressam à boca, deixando um sabor amargo), as dores torácicas, a dificuldade em engolir (devido à presença de úlceras nas paredes do esófago) ou a rouquidão (quando o conteúdo gástrico atinge a garganta) são outros sintomas do refluxo.
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Mudar de vida…
Há situações concretas que favorecem os episódios de refluxo gastro- -esofágico, como a obesidade e a gravidez. Por motivos diferentes, ambas propiciam um aumento de pressão sobre o abdómen, empurrando o conteúdo do estômago para o esófago. Mas sendo temporária na gravidez, já na obesidade a situação só se reverte através da perda de peso.
O stress também favorece a azia, na medida em que estimula a produção de ácido no estômago. No entanto, a alimentação é, claramente, o principal factor de ocorrência de refluxo.
Refeições muito pesadas, sobretudo ao jantar, alimentos gordos, chocolate, condimentos, citrinos, cafeína, refrigerantes, álcool e tabaco são propulsores deste pesadelo chamado azia.
Como o refluxo é predominante à noite, convém adoptar algumas medidas atenuantes, como fazer um intervalo de pelo menos três horas entre a última refeição do dia e a hora de ir deitar. Dormir sem deixar que o estômago cumpra a sua missão é nefasto, porque os músculos ficam mais flexíveis, facilitando a subida de alimentos e ácidos ao esófago.
Se nada disto for eficaz, a medicação pode ajudar. No caso das pessoas que apresentam este tipo de sintomas de uma forma esporádica, os anti-ácidos, que não carecem de prescrição médica, podem ser a resposta adequada, já que actuam para neutralizar o ácido do estômago.

