40 a 60 por cento dos portugueses com insónia sofrem de depressão ou enxaqueca - Médicos de Portugal

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40 a 60 por cento dos portugueses com insónia sofrem de depressão ou enxaqueca

22 Novembro, 2012 0

Insónia, depressão e enxaquecas andam, muitas vezes, de mão dada. Prova disso é o facto de 40 a 60% dos portugueses com insónia crónica apresentarem problemas de ansiedade ou depressão, frequentemente associadas também às enxaquecas. A relação entre estas patologias será debatida no Congresso de Neurologia 2012, a decorrer de 22 a 25 de Novembro, no Hotel Sana Lisboa.

Em Portugal as patologias do sono estão a aumentar, o que, segundo a neurologista Lívia de Sousa, deriva do estilo de vida atual. “Nas sociedades Ocidentais há uma cultura do estar “on” principalmente pela conciliação da profissão com os afazeres familiares. Nas consultas de enxaquecas uma queixa frequente dos doentes é a de não terem tempo para dormir, o que acaba por contribuir para que esta patologia se torne crónica. Além disso existe uma comorbilidade entre a enxaqueca (tipo de dor de cabeça) e a depressão. A depressão também pode acompanhar-se de insónia ou mais raramente hipersónia (sonolência excessiva)”.

Além de estarem relacionadas, depressão e enxaquecas são patologias que se escrevem no feminino e afetam sobretudo as mulheres. Lívia de Sousa refere que “na prática clínica vemos mais frequentemente mulheres deprimidas e com enxaquecas do que homens. No entanto, quando são os homens os doentes a situação é, em geral, mais difícil de resolver. Provavelmente há fatores hormonais que influenciam as enxaquecas. Esta é mais frequente após a puberdade nas mulheres, as crises são mais intensas na altura do período menstrual, a enxaqueca em geral melhora na gravidez e, pelo menos um terço, na menopausa”.

Relativamente à relação entre o sono e os quadros depressivos, Carlos Gois, psiquiatra, afirma que “hoje em dia considera-se que existe uma associação bidirecional entre as perturbações afetivas e a insónia mantida, ou seja, a ansiedade e a depressão aumentam o risco de incidência de insónia, sendo o reverso também verdadeiro, o dormir pouco aumenta o risco de ansiedade e depressão”.
O especialista refere que o facto de dormirmos cada vez menos e pior acaba por refletir-se também em sintomas como “sonolência diurna ou hiperatividade, irritabilidade e ansiedade consoante a suscetibilidade pessoal. Pode também ocorrer alteração da memória e de concentração nas tarefas diárias. Um maior absentismo ou propensão para acidentes pode derivar destas alterações”.

No entanto, o aumento do diagnóstico de depressões em Portugal não é só explicado pelo facto de dormirmos mal. “A perturbação dos ritmos circadianos (ciclo biológico do sono) e a sua dessincronização sistemática está provavelmente relacionada com o aumento do risco de aparecimento de depressão, mas é um fator a acrescentar a tantos outros candidatos, como a alimentação não saudável, a desigualdade e o isolamento sociais”, explica Carlos Góis.

Para dormir melhor, os dois especialistas aconselham a manutenção de um horário do sono regular, aproximar o tempo na cama ao período de sono efetivo, praticar exercício físico, alimentar-se de forma saudável, evitando a ingestão de cafeína e álcool à noite. Em geral, importa que os ritmos cronobiológicos, ou seja, os ritmos circadianos sejam semelhantes diariamente e de acordo com a necessidade de cada pessoa.

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