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Quando a barriga dói… dói…

17 Junho, 2007 0

Os alimentos são os principais responsáveis pelas tão conhecidas intoxicações alimentares. A gastrenterite, por exemplo, é um tipo de intoxicação muito comum. Em Portugal, apesar de ser um país civilizado e onde se verificam cuidados de saneamento que diminuem este tipo de infecções, as gastrenterites provocadas por bactérias patogénicas para os intestinos continuam a afectar muitos portugueses.

E se aos adultos é difícil suportar os efeitos desagradáveis, dolorosos e incomodativos de uma gastrenterite, como se sentirão as crianças?

É evidente que nas escolas ou nas colónias de férias o risco de os mais pequenos contraírem gastrenterites é acrescido, desde logo pelo facto de os alimentos serem frequentemente preparados muito tempo antes do seu consumo, sujeitos ao calor intenso do Verão. Sempre que se realizam piqueniques, os lanches vão já preparados e, por vezes, com o acondicionamento desadequado para a temperatura própria da época.

A Dr.ª Maria Celeste Barreto, pediatra, começa por indicar os alimentos que são considerados mais perigosos e que, por si só, apresentam maior risco de contaminação:

«São exemplo os ovos, o queijo fresco, o leite, o fiambre e todos os alimentos enlatados que, depois de abertos, não são consumidos de imediato e que desenvolvem mais rapidamente bactérias, que depois vão ser patogénicas. Dever-se-á ter especial atenção aos bolos com natas e chantilly: cuidado com o tempo que decorre entre a confecção e a ingestão destes pelas crianças nos seus passeios ou piqueniques.»

Um dos inconvenientes dos piqueniques prende-se com o facto de se realizarem em parques com grandes arvoredos e lagos, onde habitam, naturalmente, inúmeros insectos e variados microorganismos, susceptíveis de contaminar os alimentos que não estejam devidamente tapados ou protegidos.

Outro aspecto importante que a especialista salienta são as comidas não cozinhadas, por exemplo, as saladas. Verduras e vegetais que não sejam sujeitos à fervura e/ou cozedura e que, se não forem devidamente lavados com água e lixívia ou água com vinagre, poderão também estar contaminados.

Segundo a pediatra, «é importantíssimo que as pessoas não se esqueçam de lavar as mãos antes de manipular qualquer alimento, isto porque são um bom meio de transmissão de bactérias».

Nas creches ou colégios, «quando existem casos de gastrenterites virais, a transmissão é feita muitas vezes desta forma. Ao mudar-se a fralda a uma criança sem depois lavar as mãos corre-se o risco de transmitir negligentemente a virose. Esta é uma das principais medidas higiénicas na prevenção deste tipo de infecções: lavar as mãos antes de manipular alimentos, antes de qualquer refeição e após a ida ao quarto de banho».

Evitar a desidratação

Tal como nos adultos, a gastrenterite nas crianças pode manifestar-se de várias formas, sendo os mais comuns os vómitos e a diarreia. Muitas vezes, os vómitos precedem o quadro da diarreia. Só depois é que são evidentes as alterações das fezes, que são, nestes casos, mais fétidas do que habitualmente.

E esta é uma das características que facilmente identifica a intoxicação alimentar por salmonela: o cheiro muito peculiar, que nos alerta imediatamente para o provável agente patogénico presente naquela gastrenterite.

Para Celeste Barreto, «estes sintomas são, regra geral, controláveis. No entanto, há situações em que a criança pode desidratar por vómitos incoercíveis, que surgem acompanhados pela diarreia. Há uma perda enorme de água e de electrólitos que origina quadros de desidratação. Em alguns casos é necessário o internamento da criança, para que se possa controlar a desidratação e todo o desequilíbrio que depois acompanha estas situações».

Que cuidados se deve ter para evitar a desidratação da criança?

De acordo com a pediatra, «o primeiro cuidado a ter após o aparecimento dos vómitos é não forçar a alimentação, isto é, os alimentos sólidos, pois podem não ser bem tolerados. Numa primeira fase, de forma a equilibrar os vómitos, deverá oferecer-se líquidos, nomeadamente chá preto (o mais comum), fraco, açucarado e frio, sempre em pequenas quantidades, já que o estômago da criança pode não tolerar uma quantidade excessiva de líquidos. O esforço de ingestão originará um quadro de vómitos bastante difíceis de controlar por via oral e só depois controláveis pela via endovenosa».

Para Celeste Barreto, «tem de se oferecer primeiro os líquidos e só depois os sólidos: coisas leves, papas, iogurtes naturais, sopas simples, e também leite, se não houver intolerância aos açúcares do leite que, por vezes, surgem nas gastrenterites mais prolongadas. Pode-se dar água à criança, no acompanhamento dos líquidos ou sólidos. Caso haja rejeição da ingestão imediata de sólidos, dever–se-á voltar a insistir nos líquidos. Poder-se-á sempre optar por bebidas de maior aceitação nas crianças e jovens, como é o caso dos chás já feitos, em pacote, que normalmente têm um sabor mais agradável».

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