Quando a barriga dói… dói…
Outros sintomas
Quando há febre – um sintoma frequente dos quadros de gastrenterite – é necessário controlar o quadro clínico com antipiréticos habituais. Geralmente, os pais ou educadores de infância estão preparados para fazer esta terapêutica sem qualquer risco.
«É evidente que os quadros de gastrenterite originam nas crianças cólicas abdominais bastante incomodativas e que, por vezes, são acompanhadas de uma palidez muito acentuada. Na realidade, a criança fica pálida de resposta àquela dor tão forte. Quando a dor precede o vómito e parece que a criança vai desmaiar, estamos perante uma crise vagal – a criança fica muito branca, parecendo que vai perder todas as forças – nesta altura, basta fazer o tal chá açucarado para estabilizar a situação», diz a especialista, acrescentando:
«Em relação ao tratamento desta patologia, pode ser feito no domicílio ou na colónia de férias pelos responsáveis, sem ter de se recorrer de imediato ao hospital. Analisando a gastrenterite como uma ferida da mucosa do intestino, há que dar um certo tempo para que ela possa, de algum modo, cicatrizar.»
Em termos de tratamento médico, por regra, os antibióticos não estão indicados. Há, inclusive, situações de gastrenterite por salmonela que contra-indica antibióticos, pois pode prolongar o tempo de permanência das bactérias no intestino.
«Uma vez controlada a situação, geralmente, não ficam sequelas e depois as crianças recuperam. É, no entanto, conveniente fazer o estudo da origem da intoxicação alimentar: se foi na creche, na colónia de férias ou noutros locais e qual terá sido o foco infeccioso que originou a gastrenterite. Há, também, os inquéritos feitos pelas autoridades sanitárias para se chegar à conclusão de qual foi o agente patogénico que esteve na sua origem, qual foi o alimento contaminado», indica Celeste Barreto.
A ocorrência de surtos requer uma notificação imediata às autoridades de vigilância sanitária para que se desencadeie a investigação das fontes de contaminação e igualmente o controlo da sua transmissão através de medidas preventivas.
Cuidados essenciais
É fundamental a informação, formação e educação dos responsáveis e educadores de infância, no que respeita às situações de risco, aos factores de influência, aos meios de transmissão e às medidas de prevenção.
Há que ter especial atenção quando os destinos de férias são fora do meio habitual, sobretudo se as escolhas recaem sobre países tropicais e não se tem a certeza que a água canalizada é devidamente tratada. Todavia, é preferível beber água engarrafada e, principalmente, não colocar gelo.
«Muitas vezes, as pessoas têm imenso cuidado em oferecer água engarrafada às crianças e mesmo para consumo próprio, e utilizam gelo que foi feito com água cuja origem se desconhece», refere a pediatra.
Há que ter também especial atenção aos banhos que se tomam em locais com águas paradas – um óptimo local para o desenvolvimento de bactérias, fungos e outros microorganismos que podem ser verdadeiros potenciadores de futuras infecções patogénicas, às quais as crianças estão mais facilmente expostas.
Informações úteis
Tipos
– Intoxicação por salmonela
– Intoxicação por clostrídios
– Intoxicação por estafilococos
Alimentos de risco
– Todos os tipos de carne, em particular as aves; ovos.
– Pratos à base de carne; pratos reaquecidos.
– Alimentos crus ou parcialmente cozidos, em particular as carnes fumadas, maioneses, gelados e doces.
Sintomas
– Diarreia; um pouco de febre; dor de cabeça.
– Dores abdominais; diarreia; temperatura mantém-se normal.
– Inicialmente, sente-se tonturas e náuseas; vómitos abundantes; algumas pessoas têm diarreia.
Duração habitual
– Três a quatro dias.
– Um a dois dias.
– Normalmente, não ultrapassa um período de 24 horas.
Tratamento
– Um dia de repouso; ingestão de chá, água ou sumos em abundância; evitar alimentos sólidos; em casos de maior persistência é sempre aconselhável consultar um médico.
Cuidados a ter
– Cozer bem os alimentos; evitar o contacto de carnes cozidas com carnes cruas.
– Evitar comer comida reaquecida mais do que uma vez; guardar rapidamente alimentos frescos comprados nos supermercados.
– Lavar bem os alimentos crus; evitar contacto dos alimentos com infecções cutâneas.
Números e factos
– Segundo a OMS, as doenças transmitidas por alimentos são responsáveis por 3 milhões de mortes em crianças menores de 5 anos, em todo o mundo.
– Por ano, cerca de 30% das pessoas apresentam sintomas de intoxicação alimentar, um doença que mata anualmente 2 milhões de crianças, nos países em desenvolvimento.
– O período de incubação varia consoante o agente patogénico, indo de uma a 24/48 horas em casos onde o vómito é predominante, degenerando em diarreia.
Situações frequentes de intoxicação alimentar nas crianças
– Situações de risco: Piqueniques; Banhos; Praias; Colónias de férias; Países tropicais.
– Factores de influência: Arvoredos, lagos; Águas laradas; Calor; Convívio das crianças; Falta de saneamento básico. Meios de transmissão Moscas e mosquitos; Fungos e bactérias; Multiplicação de microorganismos; Contaminação por pessoa; Água não potável.
Medidas preventivas
• Protecção e acondicionamento dos alimentos;
• Evitar estes banhos;
• Consumo rápido dos alimentos;
• Lavagem das mãos:
– Antes da manipulação dos alimentos;
– Antes das refeições;
– Após a ida ao quarto de banho;
• Consumir água engarrafada e evitar o gelo.

