Problemáticas familiares
O papel dos pais «Por vezes, os pais não compreendem o porquê das situações e não as valorizam. Percebem que a criança não está bem na escola, que até anda triste, mas não são capazes de ligar isso a determinado problema que está ali mesmo debaixo do tecto», diz Pedro Strecht, que conhece bem este cenário. Está habituado à surpresa dos pais quando descobrem que o seu filho tem problemas emocionais: «Há pais que dizem: “Mas, afinal, isto passou-se tudo tão depressa e eu não conheço bem o meu filho”, ou “Agora é que descobri que há muitas coisas que me passam ao lado”. E este é, de facto, um dos problemas maiores.» Os pais estão cada vez mais distantes dos filhos, existe uma falta de qualidade no tempo da relação pais/filhos, o que afecta a estabilidade emocional das famílias. É necessário intervir precocemente perante as situações de risco. Para tal, é necessário que os pais estejam mais atentos às alterações emocionais/comportamentais dos filhos. «Ajudamos os pais a ter uma melhor leitura do mundo emocional dos filhos», conclui Pedro Strecht. E não deixa de referir que «estes são problemas que dizem respeito às famílias de uma forma transversal e não apenas famílias com características socioculturais mais baixas». Será que o meu filho tem problemas emocionais? «Julgo que as crianças acabam sempre por apresentar sinais e sintomas, sobretudo se as situações são muito mantidas», esclarece Pedro Strecht. Evidenciam sintomas de instabilidade emocional, que variam conforme as idades. Se uma criança é muito pequena, é mais provável apresentar sinais e sintomas através das grandes funções de relação. Por exemplo, modificações no apetite, com vómitos. O sono também pode sofrer algumas oscilações. Por vezes, registam–se alterações ao nível do desenvolvimento global. «Se uma criança está em período escolar, é muito fácil que os sinais se manifestem na escola, quer por quebra do rendimento escolar, quer por alteração de comportamento», refere o pedopsiquiatra. Para além da escola, os mais crescidos podem ter alterações de comportamento, com maior instabilidade, hiperactividade, agressividade, ou o oposto, inibições, isolamentos. Com o crescimento da criança outros receios surgem. Segundo Pedro Strecht, «há uma idade que assusta muito os pais. São os anos próximos da entrada na puberdade ou adolescência, que vai entre os 10 até aos 14, 15 anos. Penso que está relacionado com o facto de nela existir uma modificação física e emocional com os pais». Perante tantas dúvidas dos pais, o especialista tenta sossegá-los: «O ideal é estarem atentos, reportarem-se às suas próprias experiências infantis. O importante é ajudar a repetir as que foram boas e evitar as que sentem como negativas.»
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