Presbifagia
A presbifagia é uma entidade clínica que pode definir-se como uma disfunção fisiológica da deglutição relacionada com o envelhecimento – podendo, no entanto, estar relacionada com numerosas patologias frequentes na população geriátrica.
Esta «dificuldade em engolir» referida pelo idoso é habitualmente subestimada pelos clínicos e pela população em geral e pode ser responsável por numerosos casos de malnutrição, desidratação e pneumonia de aspiração – os quais, em último caso, podem conduzir à morte.
O facto de esta patologia ser de diagnóstico difícil e multi-factorial e de poder estar mascarada por situações concomitantes de depressão, alterações cognitivas e comportamentais, pode explicar em parte o seu relativo desconhecimento.
Como se diagnostica?
O seu diagnóstico é relativamente raro em ambulatório. No entanto, em doentes hospitalizados – particularmente nos serviços de Neurologia e de Neurocirurgia – a percentagem de diagnósticos cifra-se entre os 12% e os 30%.
Estima-se que metade dos residentes em lares de terceira idade necessita de assistência durante a refeição, o que ilustra duma forma prática e conclusiva a importância e a dimensão deste fenómeno.
O diagnóstico é feito através do exame neurológico, da vídeo-laringoscopia (rígida e flexível), da vídeo-flúoroscopia e dos exames imagiológicos, tais como a TAC e a Ressonância Magnética Nuclear (RMN).
A que doenças é que a presbifagia pode estar associada?
Os casos de presbifagia secundária podem estar associados a quadros de AVC, traumatismo crânio encefálico, esclerose múltipla e lateral amiotrófica, doença de Parkinson, neuropatia alcoólica e diabética, diversas situações metabólicas (como deficiência de ferro – Plummer-Vinson -, vit.B12, ácido fólico), doenças inflamatórias, RGE, assim como a diversos tumores da região da cabeça e pescoço.
Podem também ocorrer casos de presbifagia secundária após cirurgia cervical – nomeadamente faringo-laríngea e traqueostomia – e tratamentos de radioterapia.
Como se trata?
O tratamento desta doença passa por um ajustamento dietético, por modificações do volume e da consistência da comida, pela adopção duma posição apropriada durante a refeição e por uma ajuda alimentar por terceiros, pelo treino da deglutição (levado a cabo por terapeutas com formação específica) e, em último caso por uma miotomia cricofaríngea.
Em casos de patologia associada deve proceder-se ao seu tratamento respectivo.
Como último recurso pode proceder-se a técnicas paliativas como a intubação naso-gástrica, a gastrostomia ou a PEG (Gastrostomia Endoscópica Percutânea).
Nunca devemos esquecer, no entanto, a importância do suporte afectivo, familiar e psicológico (que passa por favorecer a autoconfiança e a autoestima) e pelo optimizar das condições temporo-espaciais das refeições.
Paulo Martins
Assistente Hospitalar Graduado de Orl no HSM
Assistente Convidado da FML/HSM
Médico Otorrinolaringologista da Clínica São João de Deus
Clínica São João de Deus
www.saojoaodedeus.pt

