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Por que devemos contar histórias para as crianças?

14 Março, 2007 0

Contadores de histórias… quando ouvimos essa expressão quase sempre vamos atrás no tempo e recordamo-nos de uma tia ou avó que nos contavam histórias antes de dormir. Infelizmente, contar histórias tem-se tornado uma prática pouco comum ou quase inexistente. Perdemos o sentido mais primário que essa linguagem propicia: de agrupar pessoas, aproximar e compartilhar.

No stress diário da vida, na linguagem industrial que algumas emissoras impõem, pouco tempo reservamos para simplesmente contar histórias aos nosso filhos. Esquecemos que, através das histórias, a criança cria seu próprio inventário moral, elabora questões que a angustiam e se sente alimentada. Através de personagens que têm que vencer obstáculos, sair do âmbito familiar e conseguir sucesso no mundo externo, preparamos o pequeno ouvinte para adoptar vivência com mais segurança das suas próprias derrotas e perdas. Contudo, é preciso ter muito cuidado ao eleger as versões que são contadas para as crianças, grande parte das publicações que encontramos nas livrarias (afinal, criança é um grande filão editorial) foram de tal forma destituídas da sua essência que perderam elementos importantes para atingirmos nossos objectivos. Como a leitura pode ser estimulada em casa Uma casa bem boa é uma casa cheia de histórias a escorrer pelas paredes, plantadas nos vasos, enfiadas nas gavetas, e à mostra nas cristaleiras. Para isto, além de livros povoando todos os lugares, pensa-se que uma forma bonita de estimular a leitura em casa é ter olhos e ouvidos abertos para o mundo, para a vida, tudo, exactamente tudo serve para estimular o desejo por histórias. É bom que nos tornemos contadores de histórias e cantadores da vida. Qual a importância da leitura na formação do indivíduo Acredita-se muito que a leitura é um território; um território de (re)significação. Uma tese onde tento argumentar que os O indivíduo social constroi-se verdadeiramente a partir do momento em que se torna leitor de si, do outro e do mundo. As fontes para se encontrar histórias para as crianças Muito resumidamente: nos livros clássicos, aqueles maravilhosos, que mudaram a vida de gerações e gerações; livros com contos de fadas, com contos populares de diversos países, com mitos de várias civilizações. Mas também é bom não esquecer das histórias contadas pessoalmente, aquelas que fizeram e fazem uma multidão de crianças adormecerem e sonharem e “despertarem”, assim com aspas.

E aquelas histórias familiares, dos nossos entes queridos, histórias que vão construindo sagas fantásticas e que estão tão pertinho de nós: aquela tia que nunca se casou porque preferiu ir viajar pelo mundo para conhecer outros lugares e povos; aquele primo adorado que se foi; aquela avó cheia de ideias e sabedorias etc. etc. Com o tempo, vamos sofisticando tanto os nossos gostos e hábitos que nos esquecemos de valoes tão importantes. Qual foi a última vez que nos sentamos confortavelmente no tapete, abrimos o álbum de fotos de família e revisitamos a nossa própria história? Qual a última vez que contamos para uma criança uma história que ouvimos na infância? Uma atitude tão informal e, ao mesmo tempo, tão rica.

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