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Pontes imaginárias

26 Outubro, 2009 0

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Não obstante este importante papel da fraldinha de estimação a verdade é que os pais se preocupam. E preocupam-se porque a relação que a criança estabelece com o objecto se assemelha a uma relação de dependência vai com ele para todo o lado, protesta de uma forma descontrolada se não o tem, se o perde ou se o tentam tirar, recusa um substituto, não se acalma até recuperar a posse.

Tudo neste cenário parece excessivo: a relação da criança com o objecto e a sua reacção à privação do objecto. Daí os receios de dependência. No entanto, esta é uma situação normal e na maioria das situações a criança liberta-se do seu objecto de transição à medida que ganha autonomia emocional. Não há uma idade certa, mas mais cedo ou mais tarde acontece.

Muitas vezes ocorre em simultâneo com a entrada no sistema escolar, quando a própria criança se sente crescida demais para andar com a fralda, o peluche ou a chucha. Há, porém, crianças com maior dificuldade em desligar-se. Precisam da ajuda de pais e educadores, mas essa ajuda deve assumir a forma de colaboração e não de imposição.

Numa primeira fase, há que aceitar que a criança leve o seu objecto de estimação para o infantário, deixando-a usá-lo quando sentir necessidade. Quando já estiver bem integrada e mais segura, pode ser sugerido que guarde o objecto – primeiro numa malinha, por exemplo, que a criança pode ter consigo, depois num local um pouco menos acessível, como o cabide. Mas sempre sem lhe negar o acesso – progressivamente será a criança a ter menos necessidade dessa ponte imaginária com o mundo seguro de casa e da mãe.

 

Uma gestão difícil

Nem sempre é fácil lidar com a existência de um objecto de transição, mais eis algumas regras que podem ajudar:

• Não retire o objecto sem avisar previamente a criança: mesmo que seja apenas para lavar, nunca o faça às escondidas – converse com a criança, peça-lhe colaboração e explique-lhe que voltará a tê-lo e que, apesar de o cheiro ser diferente, logo ficará igual;

• Se tiver de substituir o objecto, escolha outro igual e coloque-o em contacto com o ambiente da criança – a cama, por exemplo – para que vá adquirindo o mesmo odor e textura, de modo a que a criança não estranhe a mudança;

• Aceite a existência desse objecto como uma etapa natural no desenvolvimento infantil, mas sem o valorizar demasiado;

• Se sentir que a dependência é exagerada, vá diminuindo os momentos em que a criança usa o objecto mas procurando envolver a própria criança nesse processo.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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