O milagre da pílula: Prós e contras
Uma delas – que tem vindo a ser menosprezada – merece particular atenção: o tabagismo associado a mulheres com mais de 35 anos. É um facto que a toma da pílula depois desta idade não implica riscos acrescidos, mas em mulheres fumadoras já não se pode dizer o mesmo. Uma das entidades que em Portugal mais tem contribuído para a divulgação dos métodos anti-concepcionais, a Associação para o Parlamento da Família alerta precisamente para esta ligação perigosa.
A pílula está igualmente vedada em absoluto a mulheres sofrendo de tumor hepático ou de doença hepática crónica, a mulheres que tenham desenvolvido icterícia colestática na gravidez e em situações de hemorragia genital anormal sem diagnóstico conclusivo. Um historial de AVC, doença arterial cerebral ou coronária, tromboflebite e doença predispondo a acidentes trombóticos exclui igualmente a toma da pílula.
Outras situações há em que, embora não excluída em absoluto, a toma da pílula deve ser acompanhada de redobrados cuidados. Diabetes mellitus, hipertensão, hiperlipidémia, depressão grave, epilepsia, cefaleia grave do tipo enxaqueca e varizes acentuadas são as principais.
A associação adverte, a propósito, que a existência numa mulher de duas destas contra-indicações relativas pode transformar a situação numa contra-indicação absoluta, invalidando porventura o uso deste método contraceptivo.
O desconforto
Náuseas e vómitos são os efeitos colaterais da pílula mais óbvios e mais facilmente identificáveis. São comuns nos primeiros dias, mas desaparecem rapidamente. Também no início é comum as mulheres apresentarem uma maior tensão e sensibilidade mamária, mas a continuidade do uso em regra elimina estes sintomas.
Contudo, há que prestar muita atenção e consultar de imediato um médico se detectar qualquer nódulo ou tumefacção delimitada.
Do mesmo modo podem ocorrer alterações no fluxo menstrual, traduzidas na diminuição da sua quantidade e duração. Pontualmente, pode registar-se mesmo a ausência de menstruação, o que não tem qualquer significado patológico e permite excluir a hipótese de gravidez.
Durante o ciclo da pílula, é também possível acontecerem pequenas perdas de sangue, mas desaparecem com a habituação. Com a pílula progestativa as irregularidades do ciclo são comuns, mas também não têm qualquer significado patológico.
No peso das mulheres notam-se igualmente os efeitos da pílula, já que podem ocorrer variações significativas.
Quando consultar o médico para a prescrição de um contraceptivo oral hormonal, a mulher deve procurar informar-se claramente acerca de todas as vantagens e desvantagens da toma da pílula.
E devem saber também que o único “método” anti-concepcional 100 por cento seguro é a abstinência. Porque até a pílula tem uma percentagem de risco, ainda que marginal. No caso da pílula combinada (que contém estrogéneo e progestativo e pode ser monofásica ou trifásica), é possível 0,1 a 1 gravidez em 100 mulheres por ano. A percentagem aumenta ligeiramente com a pílula progestativa (simples) – de 0,5 a 5 gravidezes em 100 mulheres/ano.
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Critérios de escolha
Dos métodos contraceptivos disponíveis no mercado, a pílula é a mais eficaz. Contudo, eficácia não é tudo e não deve ser o único critério de escolha. Factores muito diversos – como a idade, a frequência de relações sexuais, o estado de saúde, se já teve ou não filhos, se é ou não fumadora – devem entrar em ponderação.

