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Atenção à picada dos insectos

4 Julho, 2014 0

Agora que chegou o tempo quente, mais favorável à presença de insectos, há que estar atento às reacções alérgicas às suas picadas, até porque a alergia à picada destes animais pode ter consequências importantes. Três grupos de pessoas devem merecer uma particular atenção: crianças, pessoas que habitam no campo e certos grupos profissionais, como os apicultores.

De entre os insectos mais vezes implicados referem-se os mosquitos e os insectos da família dos himenópteros (que inclui as abelhas e as vespas), sendo a reacção desencadeada quer pela saliva, quer pelo veneno inoculado.

Normalmente os mosquitos – entre nós é vulgar serem denominados de “melgas” – são insectos que picam após o entardecer e que no acto da picada inoculam saliva, sendo esta a substância que desencadeia a reacção alérgica. Os mosquitos fêmea – os únicos que picam – são atraídos por vários componentes do nosso organismo: o calor corporal, o anidrido carbónico que exalamos e determinadas substâncias que integram o suor, como o ácido láctico.

A reação alérgica permanece habitualmente confinada ao local da picada, e manifesta-se por uma pápula dolorosa  e pruriginosa rodeada por um halo de vermelhidão que, nos casos mais intensospode ter dimensões consideráveis ou mesmo espalhar-se por outras áreas da pele. As zonas em que a pele é mais frágil, como as pálpebras, são particularmente sensíveis, dando muitas vezes lugar a inchaços exuberantes nos quais os olhos podem ficar parcialmente fechados. O intenso prurido, que leva o doente a coçar-se, pode ser causa de alastramento da reação e da infecção da lesão. Neste caso, podem resultar pequenas cicatrizes duradouras ou mesmo permanentes.

Felizmente que no nosso país os efeitos nefastos dos mosquitos confinam-se ao incómodo e ao desconforto que causam as suas picadas. Porém, noutros países a situação é bem pior, já que os mosquitos aí existentes são vectores transmissores de numerosas e graves doenças, como a malária, a dengue e a febre amarela.

Mais grave pode ser a reação alérgica ao veneno dos himenópteros, classe de insectos que integra as abelhas, os zangões, as vespas e vespões e que picam com ferrão. Ao contrário dos anteriores, que picam com o objectivo de sugar sangue, os insectos que possuem ferrão utilizam-no como forma de defesa, de si ou das suas colónias, e o ferrão injecta na pele ou debaixo dela proteínas venenosas que podem causar reações alérgicas perigosas.

A picada destes insectos provoca em todas as pessoas um inchaço doloroso. Porém, nos indivíduos alérgicos ao veneno dos himenópteros a reacção perde o seu carácter local, torna-se exuberante e tende a disseminar-se.

Essa disseminação pode apresentar várias gradações, desde lesões de urticária em vários locais do corpo, ou mesmo generalizadas, até às temíveis reacções anafiláticas.

Estas reacções são uma emergência médica. O seu início ocorre em poucos minutos após a picada. A pele apresenta pápulas ou tumefações pruriginosas dispersas pela maior parte do corpo; a respiração torna-se difícil devido a obstrução das vias respiratórias superiores – edema da glote – ou a crise de asma; o aparelho digestivo pode reagir com náuseas, vómitos, dores abdominais e diarreia; sob o ponto de vista cardiovascular verifica-se uma queda da tensão arterial que pode levar ao colapso circulatório e à perda de consciência. Se não se intervém rapidamente pode haver coma, paragem cardíaca e morte.

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