O Jovem e o Amor
Tem-se a noção de que a Juventude inicia-se com a Adolescência. Trata-se de uma fase de transição que tem mais a ver com a possibilidade de acesso a situações que possam trazer algum grau de indedência, tanto no campo económico, como no social e mesmo no familiar, do que propriamente com a idade. Nos tempos actuais, este grau de autonomia só é conseguido em idades cada vez mais tardias, o que provoca um estado de dependência económica e familiar demasiado prolongado.
Com efeito, a família mantém-se por mais tempo como suporte da subsistência do jovem, continuando os pais, nalguns casos até bastante tarde, a manter-se como principais modelos e agentes de socialização dos filhos, precisamente numa fase em que o jovem necessita avidamente de modelos de identificação diversificados e meios de rompimento com a família.
Perante a tentativa de independência dos seus filhos adolescentes, os pais tomam geralmente uma das seguintes atitudes opostas: reacção de temor, incerteza de acção e, consequentemente, alguma adinamia, ou, pelo contrário, uma acção autoritária e dominadora. São raros os casos que ficam de permeio.
Perante esta realidade, o jovem adolescente vive à sua maneira uma crise de identidade, por vezes com comportamentos estranhos e contraditórios, aos quais os próprios adultos respondem muitas vezes com atitudes também elas estranhas e contraditórias.
Nesta fase conturbada de identidade, o jovem afasta-se dos adultos que mais influências tiveram sobre ele, nomeadamente, pais e professores, para se identificar com os colegas e os amigos seus iguais. Ainda nesta fase, o insucesso escolar pode tornar-se mais evidente, devido à inadaptação ao meio escolar e à luta contra o poder instituído.
Para que o comportamento do jovem assuma uma faceta positiva na construção da sua personalidade, tem muita importância o dinamismo cultural reinante e a facilidade de abordagem de temas importantes, como a sexualidade, a toxicodependência ou a problemática social.
No tempo que sobeja, para além do dedicado à família e aos estudos, o jovem pode ocupar o seu tempo livre de uma forma solitária, com pouca socialização e num sentido em que facilmente o seu pensamento pode revelar o lado negativo da sua estrutura mental, ou na rua, com a possibilidade de poder existir uma maior socialização, mas, por vezes, à custa de um preço muito elevado, devido às imensas tentações do ambiente social, que podem conduzir a desvios comportamentais potencialmente muito marcantes.
Nos últimos tempos, a Organização Mundial de Saúde tem vindo a referir, em vários documentos, os principais problemas que afectam o jovem adolescente: a toxicodependência, o suicídio e a gravidez indesejada. Também o consumo de álcool e de tabaco está a generalizar-se entre as camadas mais jovens. Todos estes comportamentos resultam da estratégia do jovem de «tudo querer experimentar».
No seio da família, desde que se nasce, vão-se criando conceitos diferentes de amor, que têm como denominador comum o facto de este sentimento estar sempre dependente da relação entre pessoas. Inicia-se com o amor à mãe ou à pessoa que trata da criança, e culmina com um amor completamente diferente, que poderia chamar-se «erótico», e que é sempre novo, inconstante, muitas vezes estranho, especialmente entre o começo de uma relação e a fase em que esse amor se torna mais revelador.
Este último amor, que nasce entre os jovens, caminha paralelamente aos sentimentos de pertença mútua e de fidelidade. Este interessante fenómeno da fidelidade já foi experimentado, logo desde o início da nossa infância, na relação com quem nos pôs no mundo – a nossa mãe. É, assim, um sentimento que se torna retrospectivo, embora com novas e diferentes roupagens.
O encontro entre duas pessoas que se amam significa partilhar alguma coisa, à custa do que se aprendeu até então. E esta aprendizagem resulta de um complexo emaranhado de conceitos, para onde concorrem os usos e costumes, e o sentido das palavras e dos gestos. Esta relação tem regras próprias, embora diferentes de caso para caso.
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