O Jovem e o Amor
O amor tem íntimas relações com o tempo e o espaço, e estes dois elementos parecem encontrar-se em perfeita simbiose: o tempo, que faz pensar, criar, imaginar, sonhar, e o espaço, que permite que as fantasias se transformem numa realidade física. Tal facto é gerador de uma quietude que deverá trazer satisfação, apesar de, ambiguamente, poder trazer sofrimento, angústia e inquietação.
Na idade do tudo ou nada, dos extremos que fazem crescer e amadurecer os sentimentos, quando se sente uma inclinação por alguém, quando surge o amor, o jovem entrega-se-lhe sem reservas, quase sempre. A imagem que então é criada por cada um dos intervenientes desta relação tem um sentido duplo, que advém das expectativas criadas por cada um: por um lado, descobriram-se sinais no outro que passam despercebidos aos olhos dos demais; por outro lado, tenta-se esconder o lado negativo do outro, concebendo-o como perfeito.
O amor torna as pessoas clarividentes, porque ajuda a criar meios de análise do comportamento dos outros, mas, ao mesmo tempo, torna-as cegas, porque nada poderá existir de mais belo do que o que está a acontecer com os sentimentos das pessoas envolvidas. Estas duas situações antagónicas coexistem em quase todos os casos.
Num grau mais forte de uma relação de amor, pode acontecer aquilo que é conhecido como paixão. É uma vivência aguda e, por isso mesmo, demasiado arrebatadora para não deixar cicatrizes. Normalmente, é mais curta no tempo e no espaço, mas é vivida com maior intensidade. Daí o dano que uma tal relação pode deixar para a mente de quem se apaixona. É sob o efeito da paixão que se criam as mais belas coisas, mas também as mais hediondas.
Mas deixemos os extremos, quaisquer extremos, e fiquemo-nos apenas no amor entre dois jovens. Tão diferente como o aspecto físico, também é distinto o ambiente psicológico vivido pelos diferentes sexos. Mas, embora diferentes, estão condenados a partilhar a vida para o bom e para o mau. É através da sedução que homem e mulher se tentam entender. Neste jogo envolvente misturam-se vários sentimentos, muitas vezes incompreendidos e contraditórios. Misturam-se emoções com impulsos, paixões com humores.
Do lado de lá do mundo das emoções, existe a outra face, a do racional calculismo que dificilmente casa com o mundo do amor e da paixão. Se o racionalismo vencesse, nos momentos tão fugazes da adolescência, sentiríamos o tédio de nunca fazer asneiras. No mundo amoroso, o jogo toma conta da razão e esquecemos o que nos circunda.
A expressão dos sentimentos que dominam o amor não é exclusivamente física. Aliás, é muito mais frequente encontrar comportamentos reveladores de uma vivência psíquica, quantas vezes mais imaginada que real. E é assim que podem surgir expressões de «arte», onde cabe perfeitamente a poesia. Quem nunca rasgou um papel com palavras entrelaçadas, com ou sem rima, reveladoras da presença do amor?
Dr. A. Marques Leal,
Médico de família no Centro de Saúde de Ílhavo
e coordenador concelhio de Diabetes
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