Memória & concentração: Na escola
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Com a ajuda de pais e professores, e muito trabalho, uma criança pode ser bem sucedida na aprendizagem, contornando as dificuldades. Uma vez confirmada a existência de uma ou mais destas dificuldades, pais e professores devem assumir a tarefa de se informarem, porque, informados, poderão e saberão ajudar melhor. E assim fazer toda a diferença na vida da criança.
Nas nossas escolas existe uma sensibilidade crescente para estes casos, muito embora nem sempre os professores estejam preparados para lidar com a diferença. Contudo, importa adoptar estratégias de ensino que permitam atenuar a discrepância entre aquela criança e os demais alunos, bem como reduzir o fosso entre o que a criança consegue aprender e aquilo que, na realidade, aprende.
Atenção Redobrada
Uma criança com dificuldades de aprendizagem tem uma necessidade educativa especial. E requer uma intervenção específica que pode passar, nomeadamente, por dispor de mais tempo para realizar as tarefas ou de realizá-las faseadamente, de modo a assimilar as diferentes instruções. Em casa, a criança pode necessitar também de mais tempo para realizar os trabalhos, pelo que esta deve ser uma prioridade no final das aulas. E por cada tarefa concluída com sucesso, um elogio é sempre bem recebido, permitindo acalmar os sentimentos de frustração que naturalmente emergem quando se está a braços com uma dificuldade.
A frustração é, aliás, um sintoma que deve merecer a máxima atenção dos adultos. É que não ser capaz de expressar as suas ideias, traduzindo-as em palavras orais ou escritas, não ser capaz de desempenhar algumas tarefas, ter dificuldades em perceber o que os outros dizem ou em integrar-se numa conversa pode, deveras, ser frustrante. No grupo de pares, estas dificuldades nem sempre são percebidas, pelo que a criança pode ser vítima de brincadeiras de mau gosto. A resposta tanto pode ser o isolamento como a agressividade, com os riscos inerentes – o de alimentar uma maior distância social ou uma depressão.
Uma criança com dificuldades de aprendizagem precisa de muito apoio para superar a diferença. Mas não é uma criança condenada ao insucesso: apenas precisa de se esforçar mais.
Não se devem tratar as dificuldades de aprendizagem como se fossem problemas insolúveis. Mas, antes disso, como desafios que fazem parte do próprio processo da aprendizagem, a qual pode ser normal ou não-normal.
Existe necessidade de se identificar e prevenir o mais precocemente possível.
As razões do insucesso
A dislexia é porventura a mais comum e mais conhecida das situações que provocam dificuldades na aprendizagem. Corresponde a uma dificuldade em processar a linguagem que afecta sobretudo a leitura e a escrita. Já a disgrafia envolve mais em concreto a expressão escrita, traduzindo-se, por exemplo, numa letra ilegível e na dificuldade em organizar ideias. Quanto à discalculia, prende-se com a matemática, evidenciando-se na dificuldade em memorizar e organizar os números, bem como em apreender conceitos como o tempo e o dinheiro. Finalmente, a dispraxia está relacionada com as capacidades motoras, com a criança a apresentar dificuldade em coordenar os chamados movimentos finos – agarrar num lápis para desenhar ou numa tesoura podem ser tarefas árduas. É uma alteração da integração sensorial.

