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Parto: Natural ou por cesariana?

18 Janeiro, 2014 0

Esta é uma dúvida que se coloca quando se aproxima o fim da gravidez – como será o parto? O natural é que seja por via vaginal, mas as cesarianas estão a aumentar e a alimentar a polémica.

A polémica reacende-se de vez em quando: há, em Portugal, demasiados nascimentos por cesariana. São 33,5 por cento do total de partos, contra uma média europeia de 19 por cento e um Plano Nacional de Saúde que fixou como meta para 2010 uma taxa de 24,8 por cento.

Interpretados pelos especialistas em Ginecologia e Obstetrícia, os números espelham uma realidade que é já considerada um problema de saúde pública. É que a cesariana – argumentam – é um procedimento que não beneficia nem a mãe nem o bebé. É um procedimento que está associado ao adiamento da maternidade: o corpo vai perdendo elasticidade com os anos, dificultando o parto vaginal. A este factor junta-se o pedido expresso da mulher, por receio de complicações no parto natural ou de consequências na vida sexual posterior.

A alimentar a polémica desencadeada pelos números juntou-se uma posição recente da Associação Portuguesa de Bioética, em defesa do direito das mulheres à sua via de parto preferencial nas unidades do Serviço de Nacional de Saúde. Isto porque – sustenta a organização – há grandes disparidades entre as práticas no sector público e no privado: estender a opção da mulher ao SNS reduziria as desigualdades sociais nesta área.

Uma proposta que nem a ministra da Saúde nem o bastonário da Ordem dos Médicos acolheram favoravelmente, por entenderem que as cesarianas devem depender da opinião clínica.

E há situações que a justificam: quando está em causa a saúde ou a sobrevivência da mãe ou do feto, ou ainda quando a via vaginal se revela inviável (por exemplo, por incompatibilidade feto-pélvica).

São razões que nem sempre estão presentes, com a cesariana a constituir o recurso que permite o nascimento no tempo desejado, nomeadamente por conveniência dos pais.

São os chamados partos programados, que também podem ser vaginais (por indução).

Razões à parte, o certo é que uma cesariana é uma operação, com riscos idênticos a qualquer outra – implica, nomeadamente, uma maior perda de sangue para a mulher e pode envolver algumas consequências pósoperatórias, entre as quais uma infecção do endométrio, a mucosa que reveste o interior do útero. Febres altas, infecções urinárias e paragens intestinais são também possíveis, acontecendo, nos casos de obstipação, que

a mulher sujeita a uma cesariana é colocada sob dieta até conseguir que o intestino recupere o seu funcionamento normal. Dores são também frequentes nas primeiras 48 horas.

Além disso, requer um internamento mais prolongado. O parto vaginal também não está isento de riscos, mas por ser mais parecido com o fisiológico – o chamado parto natural, sem medicação – envolve uma recuperação mais rápida e uma menor probabilidade de complicações. Afinal, o corpo da mulher está preparado para um nascimento assim.

Associada ao parto vaginal está a dor. Ou melhor, a ideia de dor, porque ela nem sempre está presente com intensidade e porque existem técnicas que permitem atenuá-la. É essa a função da epidural, anestesia localizada cuja administração é decidida entre a mulher e o clínico. É quando a dilatação atinge os quatro a cinco centímetros e as contracções se sucedem ao ritmo de uma em cada quatro ou cinco minutos que é aplicada. Entre duas contracções, com a mulher dobrada sobre si mesma e imobilizada o mais possível, um anestesista injecta o líquido que irá retirar a sensibilidade à parte inferior do corpo.

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