Infertilidade: Menos oportunidades de tratamento para casais inférteis
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Com o que contam os casais?
De Norte a Sul do país, os casais com problemas de fertilidade podem contar com um ciclo de tratamentos até nova decisão ministerial. Por outro lado, cada casal pode fazer três tentativas no sector público e posteriormente organizar a vida para “seguir” para o sector privado. “Em princípio, quem já fez este ano um ciclo, poderá fazer um outro no ano que vem mas não faço ideia se haverá capacidade de resposta para dizer que o casal poderá fazer mais ciclos ao acordo de regras de valorização clínica”, indica Calhaz Jorge.
Existe um número máximo a partir da qual não valerá a pena continuar a tentar porque a técnica não se adequa. “No que respeita ao intervalo entre os ciclos, por uma questão de recuperação do organismo, genericamente pode ir de três a quatro meses. Já é um intervalo de segurança suficiente. No entanto, nos Centros Públicos, a lista de espera é tão grande que não é possível realizar tantos ciclos com estes intervalos, como já referi”, salienta o Professor.
De há 15 anos para cá, o desenvolvimento de novas técnicas tem resolvido milhões de situações de fertilidade. “Não há que perder a esperança mas sim saber viver com alguns obstáculos que acabarão por ser resolvidos. É preciso repetir oportunidades para que as coisas resultem”, conclui Calhaz Jorge.
Ao lado dos casais
A Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade), conhecida pelo apoio que dá aos casais inférteis já veio a público insurgir-se contra as notícias que vieram a público e que envolvem sobretudo a MAC. O Jornal do Centro de Saúde foi procurar saber a opinião de Cláudia Vieira, presidente da APFertilidade.
“Após o anúncio pelo Governo em 2007, de um plano especial para a procriação medicamente assistida (PMA) e o início da sua efectivação três anos depois com a possibilidade de encaminhamento de casais em lista de espera para o sistema privado e com a renovação das infra-estruturas públicas, a APFertilidade considera que a circular normativa nº 9, de 12 de Agosto de 2010 comporta um retrocesso no apoio à PMA”, começa por referir.
Contrariamente ao que foi transmitido em reunião, em Janeiro de 2010, pela DGS à direcção da APFertilidade, e posteriormente anunciado aos órgãos de comunicação social, “o Ministério da Saúde alterou o plano de apoio à PMA para o ano de 2010”, adianta a responsável.
Através da referida circular, a Administração Central do Sistema de Saúde veio comunicar aos hospitais “os critérios de elegibilidade e o número de ciclos permitidos por casal que contrariam as promessas feitas aos casais em dois pontos particulares:
a) O número de ciclos de inseminação intra-uterinas (IIU) não tinha um limite definido;
b) Seria permitido o acesso a tratamentos de PMA aos casais que pretendessem um segundo filho nomeadamente os que já tivessem um filho em comum resultante de PMA, um filho em comum desde que diagnosticada infertilidade secundária ou com filhos de relacionamentos anteriores e sem filhos em comum e com diagnóstico de infertilidade”.

