Aborto espontâneo: Gravidez interrompida
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Duas opções se colocam perante esta situação: ou o organismo se liberta naturalmente dos tecidos ou é necessária uma intervenção cirúrgica (dilatação e curetagem) para garantir a completa limpeza do útero. O tecido removido pode ser submetido a análises laboratoriais para identificar a eventual causa do aborto.
Uma gravidez anembrionária não costuma repetir-se, pelo que as possibilidades de uma gravidez de termo são muito elevadas. Os médicos aconselham normalmente um período de espera que pode ir até três meses, mas depois disso o casal pode voltar a tentar.
Fora do lugar
Quando o ovo fertilizado se instala fora do lugar, noutro órgão do aparelho reprodutor feminino que não o útero, a gravidez está condenada ao insucesso: é assim a gravidez ectópica.
É quase sempre numa das trompas de Falópio que o ovo se instala quando falha a sua ascensão em direcção ao útero.
Um caminho que pode ser interrompido devido a uma infecção na própria trompa, que a bloqueia total ou parcialmente, mas também devido a endometriose, situação em que há crescimento de células uterinas fora do útero, ou ainda à formação de tecido em consequência de cirurgia pélvica prévia ou de doença no sistema reprodutor.
Independentemente da causa, uma coisa é certa: as trompas de Falópio não estão preparadas para albergar um embrião em desenvolvimento, pelo que uma gravidez ectópica é inviável.
O diagnóstico não é imediato, na medida em que os sintomas de uma gravidez ectópica são idênticos aos de uma gestação uterina: ausência de menstruação, aumento da tensão mamária, náuseas e vómitos, fadiga e vontade frequente de urinar.
O sinal vermelho acende-se quando a mulher sente dor na região abdominal ou pélvica. A dor – aguda e intensa – decorre do facto de a trompa não ter espaço suficiente para que o feto se desenvolva. À medida que ele cresce vai pressionando os tecidos, ao ponto de, nos casos mais graves, os romper, causando hemorragias abundantes e pondo a vida da mulher em risco.
Quando há ruptura da trompa de falópio, a dor pode ser sentida no pescoço ou nos ombros.
Tonturas e desmaio e baixa pressão arterial são outras manifestações de que a mulher está a perder sangue em excesso.
São sinais que devem suscitar uma ida à urgência. E, perante as queixas de mulher, o diagnóstico implica, antes de mais, a confirmação da gravidez através de análises ao sangue e à urina, em busca da hormona hCG. Produzida pela placenta, esta hormona é detectável dez dias após a fecundação e os seus níveis duplicam a cada dois a três dias nas primeiras dez semanas de gravidez. Níveis inferiores ao esperado para a fase gestacional podem fazer suspeitar de uma gravidez ectópica. O mesmo acontece se o útero for mais pequeno do que o previsto para o tempo de gestação em causa.
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Confirmada a gravidez fora do lugar, e dado que o feto não é viável, importa tratá-la quanto antes para evitar complicações que possam ameaçar a vida da mulher. Se a gravidez é detectada precocemente, e ainda não houve ruptura dos tecidos da trompa nem hemorragia, o tratamento pode passar pela administração de uma injecção de metotrexato, que impede o desenvolvimento celular e dissolve as células já existentes, as quais são depois absorvidas pelo organismo.

