Aborto espontâneo: Gravidez interrompida
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Hemorragia, o primeiro sinal
Embora não seja automaticamente sinónimo de aborto, uma hemorragia vaginal é, quase sempre, o primeiro sinal de que o feto está em risco. Contracções ou dor abdominal, bem como da perda de fluido ou tecido pela vagina, são outros dos sinais a ter em conta. E que devem suscitar de imediato uma consulta médica, sobretudo se a hemorragia for abundante.
Casos há em que o aborto ocorre sem sintomas. O feto deixa de ser viável, mas permanece no útero, sem que haja hemorragia ou dor, sendo apenas detectado no decorrer de uma ecografia de rotina. Quando a retenção do feto morto se prolonga por quatro ou mais semanas fala-se em aborto diferido.
Perante a confirmação do aborto, dois caminhos se abrem: ou se deixa a natureza seguir o seu curso ou se opta pela remoção cirúrgica dos tecidos que permanecem no útero.
A avaliação é médica, com base na individualidade de cada caso.
Quanto mais cedo na gravidez ocorrer o aborto maior a probabilidade de o organismo expulsar o tecido fetal, sendo apenas necessária uma ecografia para confirmar se o útero ficou completamente limpo. A hemorragia cessa ao fim de alguns dias. Mas, quando não há expulsão ou ela é apenas parcial, procede-se a uma curetagem, procedimento que envolve a dilatação do colo do útero e a aspiração dos produtos da gravidez interrompida.
Após um aborto, a recuperação física é relativamente rápida. A menstruação regressa, normalmente, ao fim de quatro a seis semanas, devendo ser vigiados eventuais sinais de infecção, como febre, dores ou hemorragia intensa. Já a recuperação emocional leva mais tempo.
Um aborto leva as emoções ao auge, muitas delas contraditórias, podendo envolver culpa. Há que fazer o luto, antes de decidir tentar novamente.
E quando chegar esse momento é preciso lembrar que são muito elevadas as probabilidades de terminar a gravidez com um bebé nos braços.
Sem embrião
Uma gravidez sem embrião é possível e acontece por vezes. O ovo é fertilizado, cola-se à parede uterina, forma-se o saco gestacional, mas o embrião não se desenvolve – é uma gravidez anembrionária, também conhecida como “ovo cego”.
Tal como o aborto espontâneo, também esta gravidez pode acontecer tão precocemente que a mulher nem se aperceba. Mas o mais comum é que haja sinais que confirmam que houve fecundação, como uma falta menstrual e até um teste de gravidez positivo.
Mesmo sem embrião, o corpo comporta-se como numa gravidez bem sucedida: os níveis da hormona hCG continuam a crescer, tal como a placenta, que consegue manter-se por algum tempo.
A mulher acredita que está grávida, até que uma ecografia de rotina revela um útero vazio ou um saco gestacional vazio. A descoberta pode ser desencadeada por um sinal de aborto, nomeadamente hemorragia vaginal. A esta situação estão associados 50 por cento dos abortos ocorridos no primeiro trimestre. São anomalias cromossómicas que estão na origem de uma gravidez anembrionária: o organismo da mulher identifica essas anomalias e não permite que o desenvolvimento fetal prossiga, pois o feto não é viável.

