Feridas à espreita
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Enquanto isso, a região mais superficial da ferida vai sendo coberta por novas células – as epiteliais – que ajudam a fechá-la e a impermeabilizá-la. É também nesta fase que aumenta a produção de colagénio, substância responsável pela força e resistência da pele.
Os vasos sanguíneos tornam-se menos densos e a lesão começa a empalidecer.
Finalmente, as fibras de colagénio amadurecem e o tecido é remodelado, recuperando praticamente as características anteriores à lesão. Se este processo tiver decorrido sem sobressaltos, o mais provável é que fique apenas um sinal discreto que, com o tempo, se vai desvanecendo.
Nem sempre, porém, tudo corre como desejado. Há situações em que a ferida requer a intervenção de um profissional de saúde dado o risco de complicações. Desde logo se a lesão for muito profunda e/ou extensa, se a hemorragia não cessar ou se recomeçar, se permanecem detritos na ferida apesar das tentativas para a limpar e ainda se libertar pus.
A infecção atrasa, naturalmente, a cicatrização. Mas há outros factores que podem dificultá-la. A idade é um deles, sabendo-se que, devido às alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, há uma diminuição da elasticidade da pele e da produção de colagénio, bem como um declínio do sistema imunitário. Além disso, os idosos podem sofrer de doenças crónicas que afectem a circulação, resultando numa menor oxigenação da ferida e numa cicatrização mais demorada, tal como acontece na diabetes em que a cicatrização é dificultada.
Os estados de desidratação e desnutrição também interferem com a renovação do tecido cutâneo, pelo que se torna importante, quando há uma ferida, manter uma alimentação equilibrada. Todos os nutrientes são necessários: as proteínas são necessárias para a produção de colagénio, os sais minerais fortalecem o sistema imunitário, as vitaminas estimulam a formação de células, os hidratos de carbono e as gorduras fornecem energia.
As feridas acontecem quando menos se espera. Numa actividade profissional ou num momento de lazer. É preciso é agir a tempo, para evitar o risco de uma infecção e garantir que, como se verifica na maioria das vezes, cicatrizem sem deixar vestígios.
Um risco chamado tétano
Independentemente do que esteve na origem da ferida, há um cuidado adicional a não descurar: verificar se a vacina do tétano está em dia. Não é contagioso, mas é grave: trata-se de uma infecção causada por uma bactéria que se encontra nas fezes de animais ou pessoas depositadas na areia ou terra e que entra no organismo precisamente através de lesões na pele, produzindo uma toxina que actua em diferentes áreas do sistema nervoso.
Espasmos musculares e rigidez progressiva, que dificultam a respiração e colocam em risco de vida, são as manifestações de uma doença que se previne através da vacinação.
A profilaxia contra o tétano faz parte do Plano Nacional de Vacinação, integrada numa vacina que oferece também protecção contra a difteria e a tosse convulsa.
São tomadas cinco doses iniciais, a primeira das quais aos dois meses de vida e a última pelos cinco, seis anos, coincidindo com a entrada na escola básica. As restantes são ministradas aos 4, 6 e 18 meses. Um primeiro reforço deve ser tomado entre os 10 e os 13 anos, após o que a revacinação deve ocorrer a cada dez anos. Adultos que não tenham sido vacinados podem, e devem, sê-lo a qualquer altura da vida.

