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Falta de iodo prejudica desenvolvimento

30 Novembro, 2011 0

As crianças portuguesas precisam de mais iodo para melhor desenvolverem as suas capacidades cognitivas e quocientes de inteligência. Estudo põe a nu carências em metade da população mais nova e recomenda uma intervenção com suplementos desde a gravidez.

As crianças portuguesas têm falta de iodo. O alerta é do coordenador do “Estudo Aporte do Iodo em Portugal”, iniciado em 2004 pelo Grupo de Estudos da Tiróide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM). Segundo Edward Limbert trata-se de uma carência moderada, mas que é preciso combater de imediato. Os números assim o exigem: cerca de metade das crianças em idade escolar possui níveis abaixo dos recomendados.

O problema tem de ser atacado logo na gravidez, explica o investigador, que recomendou, no XII Congresso Português de Endocrinologia, decorrido em Tróia, que Portugal adoptasse medidas legislativas à semelhança de Espanha, no sentido de as grávidas receberem suplementos de iodo, como acontece, por exemplo, com o ácido fólico.

O estudo demonstra que 80% das grávidas portuguesas têm níveis de ingestão de iodo abaixo do desejável e 20% níveis muito baixos. E o que é que isto provoca? “O problema não é propriamente para as grávidas, mas para os fetos”, respondeu. E esclareceu: “Vários estudos vieram a mostrar que mesmo as carências menores, como a que temos em Portugal e noutros países da Europa, podiam ser prejudiciais para o desenvolvimento dos fetos nascidos dessas mães, uma vez que a falta de iodo tem influência no sistema nervoso do bebé.” Em resultado disso, “as crianças já em idade escolar podem vir a ter problemas de aprendizagem, défice de atenção e quocientes de inteligência baixos “.

Edward Limbert explicou ainda que a solução é simples e pouco dispendiosa para o Governo. O apelo foi bem recebido pelo director-geral da Saúde, Francisco George, que se comprometeu no sentido de tornar a suplementação de iodo na gravidez uma prática corrente em breve. “Já é um bom começo”, reagiu o investigador.

 

Peixe do mar ajuda

Questionado pelo Jornal do Centro de Saúde sobre se é recomendável que as grávidas façam análises no sentido de controlarem os seus níveis de iodo, foi peremptório: “Não é preciso”, tranquilizou. “As análises foram feitas em termos populacionais e verificou-se que há um défice; agora há que dar o suplemento a todas as grávidas”, desvendou.

No entanto, o problema não fica resolvido, uma vez que a intervenção nas futuras mães não actua na carência detectada nas crianças actualmente em idade escolar. Para o resto da população, a recomendação da Organização Mundial da Saúde, explicou o responsável, “vai no sentido de se fazer iodização do sal, ou seja, pôr uma percentagem de iodo no sal das cozinhas”. Tal como no caso das grávidas, “tem de ser uma medida legislativa, como aconteceu em Itália e na Dinamarca”. Por enquanto, “a prevenção tem de ser em duas frentes, depois tem de se ir fazendo a monitorização até para se ver se as quantidades são adequadas”, sublinhou.

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