Falta de iodo prejudica desenvolvimento
Até lá, a solução passa por incluir “mais peixe e substâncias vindas do mar, ricas em iodo”, na alimentação dos mais novos, referiu. “Tem é de ser peixe de mar”, ressalvou. E prosseguiu: “O leite também tem algum teor de iodo, em virtude da alimentação das vacas, e a verdade é que nas escolas onde era dado leite às crianças encontrámos valores mais positivos.”
O responsável lembrou ainda que se “ouve muita história da profilaxia silenciosa”. Por outras palavras, que há a ideia de que as pessoas que vivem junto ao mar recebem mais iodo. Todavia, isso não é totalmente verdade, tanto que nos Açores e na Madeira as crianças têm mais carência de iodo do que no resto do país. “O iodo apenas existe onde há abundância de algas, o que não acontece nas regiões autónomas”, clarificou. E idas à praia? “A absorção é demasiado baixa para ser suficiente”, esclareceu.
Um problema ignorado
O professor destacou que este foi um problema ignorado até à data. “Não se falava nisso”, desvendou. O último estudo deste género no país foi feito há 30 anos “e os dados ainda eram piores do que estes”, enalteceu. O problema é que “naquela altura não se valorizava a importância da carência de iodo, só se pensava no aspecto de poder provocar o chamado bócio endémico, que é provocado por uma carência muito, muito marcada”. Edward Limbert sublinhou que se “pensava que uma vez resolvido esse problema não seria preciso pensar mais nisso”. Por isso, nada se fez. Só mais tarde surgiram investigações a demonstrar que a realidade é outra. A SPEDM considera o défice de iodo um dos principais factores de risco para o aparecimento de alterações da função da tiróide. Uma deficiência de hormonas tiroideias pode resultar em prejuízos no desenvolvimento físico e mental, cuja seriedade depende do grau de insuficiência. “Razões mais do que suficientes para que se tomem medidas rapidamente”, concluiu o especialista.
Alguns dados
» 80% das grávidas com níveis de iodo abaixo do desejado
» 46,9% crianças apresentam níveis de iodo baixo
» Aveiro e Coimbra foram as cidades que apresentaram piores resultados (70% com défice de iodo)
» Lisboa e Portalegre estão melhor (26%)
» Bócio endémico foi praticamente erradicado
» 3679 crianças estudadas, de 78 escolas do continente
O que é?
O iodo é um elemento que existe em pouca quantidade na natureza e fundamental ao organismo para produzir as hormonas da tiróide, pelo que a sua quantidade na alimentação condiciona o funcionamento e as doenças relacionadas com aquela glândula. As necessidades de iodo aumentam desde o nascimento até à adolescência, mantendo-se depois constantes no adulto, excepto na gravidez e na amamentação, em que a necessidade é maior. A sua deficiente ingestão pode levar à diminuição da produção das hormonas tiroideias (hipotiroidismo) e ao aumento do tamanho da tiróide (bócio)
Jornal do Centro de Saúde
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