Crianças seguras na água
Os afogamentos ocorrem em qualquer altura do ano, habitualmente em ambientes familiares. É a segunda causa de morte por acidente em crianças. Saiba como evitá-lo. O Jornal do Centro de Saúde indica-lhe os comportamentos seguros na água, com a ajuda da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).
O afogamento continua a ser a segunda causa de morte acidental nas crianças e jovens. Sabia que só nos primeiros seis meses deste ano já morreram sete crianças afogadas, quatro delas em piscinas e duas destas no Algarve?
Em Portugal, morrem anualmente, em média, 30 crianças por afogamento, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. O que fazer para evitar que estes dados continuem a crescer no nosso País? As várias respostas a esta questão podem ser encontradas ao longo deste artigo.
“É urgente a recolha rigorosa e o tratamento atempado dos dados oficiais sobre afogamentos, dando a conhecer a real dimensão do problema, de modo a ser possível a definição de estratégias direccionadas e eficazes”, defende a Dr.ª Elsa Rocha, médica pediatra, vogal da direcção da APSI, responsável pelo núcleo do Algarve.
Os afogamentos ocorrem em qualquer altura do ano, habitualmente em ambientes familiares. A banheira, o tanque de roupa ou rega, o poço, as fossas, a piscina, o rio, o lago de jardim, ou mesmo baldes e alguidares podem representar perigo mesmo que nada o faça prever.
“Os estudos promovidos pela APSI em 2003 nos Hospitais de Faro, Pediátrico de Coimbra e São João no Porto, revelaram que o meio aquático envolvido varia com a zona do País.
Enquanto que no Porto e em Coimbra ocorreram mais afogamentos em poços, fossas e tanques, no Algarve, apesar dos 150 quilómetros de praia, 80% dos afogamentos registados no Hospital de Faro, ocorreram em piscinas”, esclarece Elsa Rocha.
Em silêncio
“A morte por afogamento é rápida e silenciosa”. É o slogan que dá corpo à campanha de segurança na água promovida anualmente pela APSI, desde o ano de 2003. “Uma criança não esbraceja, nem grita, quando cai à água: afoga-se em silêncio absoluto”.
Isto sucede porque a cabeça é proporcionalmente mais pesada do que ao corpo e fica de imediato submersa em caso de queda à água. Por outro lado, quando a criança cai à água, perde o conhecimento no primeiro minuto, pode ter lesões neurológicas irreversíveis em cinco minutos e pode vir a morrer, em apenas 20 minutos.
Através desta campanha, a APSI pretende sensibilizar a opinião pública “para um problema cuja solução passa pela acção de cada um”. Evitar a morte por afogamento está nas mãos de todos nós.
Uma pequena distracção pode valer uma vida
Em tempo de férias, as crianças estão mais descontraídas e aventuram-se em novas proezas e brincadeiras. No entanto, há riscos próprios da época, facilmente controláveis e que não devem ser ignorados. Agir com precaução é fundamental para um Verão em segurança.
Não se esqueça de vigiar activamente e em permanência as crianças na água. Não perca as crianças de vista nem por um segundo, caso haja água por perto. Quando houver festas com muita gente, estabeleça um sistema de vigilância, que pode ser rotativo para não sobrecarregar ninguém.

