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Como e porquê amamentar?

30 Novembro, 2007 0

O ideal é que o bebé seja alimentado exclusivamente ao seio nos seis primeiros meses (evitando inclusive a água e certos chás). Mas a amamentação traz também grandes benefícios para os bebés depois dos seis meses! Segundo a Organização Mundial de Saúde os bebés deveriam ser amamentados, com complemento, no mínimo até ao 2º ano de vida.

Os benefícios da amamentação continuam mesmo para crianças maiores.

Mas, a amamentação, não traz benefícios apenas para o bebé. É muito importante também para a mulher, a família e até para o meio ambiente! Vamos saber porquê:

Vantagens para o bebé

De uma forma geral, as crianças que mamam ao peito são mais inteligentes. Um estudo feito na Nova Zelândia, durante 18 anos, com mais de 1.000 crianças provou que aquelas que foram amamentadas eram mais inteligentes e tinham maior sucesso na escola e universidade. (Horwood and Fergusson, “Breastfeeding and Later Cognitive and Academic Outcomes”, Jan 1998 Pediatrics Vol. 101, No. 1).

Todos os bebés precisam dum contacto íntimo com a mãe. Inúmeras pesquisas mostram que bebés que não tiveram contacto físico tem maior risco de adoecer e até de morrer. Na amamentação, o contacto físico é maior e proporciona à mãe e ao bebé um momento de grande aproximação diária. Essa ligação emocional muito forte e precoce pode facilitar o desenvolvimento da criança e o seu relacionamento com outras pessoas.

Mesmo com amor e em boa fé, os pais que responsabilizam outros pela amamentação dos seus filhos têm sempre uma tendência em deixar a criança a se alimentar por si própria (especialmente as crianças maiores), que além da inconveniência da falta de contacto físico, a criança está mais propícia em se engasgar ou ser vítima de outros problemas.

O desenvolvimento psicomotor e social dos bebés amamentados é claramente melhor e resulta, na idade de um ano, em vantagens significativas. (Baumgartner, C.,”Psychomotor and Social Development of BreastFed and Bottle Fed babies During their First year of Life”. Acta Paediatrica Hungarica, 1984)

Leite materno contém endorfina, substância química que ajuda a evitar um pouco mais a dor. É uma boa ideia amamentar o bebé logo de início; ajuda a superar dores (como as resultantes de efeitos secundários de certas vacinas) e o próprio leite materno também reforça a eficácia da vacina.

O leite materno, contém todos os nutrientes de que a criança precisa nos primeiros seis meses de vida.

Tem água em quantidade suficiente, mesmo em clima quente e seco o bebé que apenas mama no seio não precisa de água.
Contém proteínas e gorduras mais adequadas para a criança e na quantidade certa;

Também tem mais lactose (açúcar do leite) do que os outros leites;

Vitaminas em quantidades suficientes. Não há necessidade de grandes suplementos vitamínicos (excepto a vitamina A, C e D);

Tem ferro em quantidade suficiente. Não há grande quantidade de ferro, mas ele é bem absorvido no intestino da criança;

Quantidades adequadas de sais, cálcio e fósforo;

Uma enzima especial (lipase) que digere as gorduras, e por isso o leite não é “pesado” como outros. O leite materno é facilmente digerido e absorvido. A criança em aleitação materna exclusiva pode desejar uma nova mamada em intervalo menor do que aquela que está a ser amamentada por leite de lata ( maternizado).

Crianças que se alimentam ao leite de lata têm maior risco de obesidade na vida adulta.

Crianças em aleitação materna exclusiva, têm menos quadros infecciosos porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém factores anti-infecciosos que incluem:

Células brancas vivas (leucócitos) que matam as bactérias (micróbios);
Anticorpos (imunoglobulinas contra muitas das infecções mais comuns. Isto ajuda a proteger a criança até que ela comece a produzir os seus próprios anticorpos. Se a mãe tiver uma infecção, os anticorpos logo aparecem no seu leite;

Uma substância chamada factor bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial (Lactobacíllus bifidus), no intestino da criança. Essa bactéria impede que outras cresçam e causem diarreias e certas enterites;

Lactoferrina que se associa ao ferro, impede o crescimento de bactérias patogénicas (ou seja, bactérias que provocam doença) que necessitam deste nutriente.

O leite de vaca, também contém factores imunológicos de óptima qualidade, mas para o bezerro. Esses factores só funcionam para a própria espécie, ou seja, não é tão eficaz de um animal para outro de espécie diferente. Contudo, alguns desses factores até poderiam funcionar, mas eles são destruídos pela armazenagem e pela fervura do leite.

Nos bebés, o acto de sugar o seio é importante para o desenvolvimento das mandíbulas. Bebés que mamam têm de usar 60 vezes mais energia para conseguir o alimento que aqueles que mamam pelo biberão.

Como as mandíbulas são músculos esses são excelentes exercícios que proporcionam o crescimento saudável de mandíbulas bem formadas.

Entre as crianças, quanto maior o período de amamentação, menor o risco de má-oclusão.

Por outro lado, o biberão com açúcar, especialmente oferecido à noite, é causador de cáries precoces.

Dificuldades de fala e com a língua são frequentes em bebés alimentados com biberão porque eles tentam fazer com que o leite flua de um bico artificial. Pode levar a problemas de fala, assim como a respirar pela boca e morder os lábios, entre outros.

Crianças alimentadas com biberão têm maior risco de desenvolver alergias. Essa questão é particularmente importante no caso de famílias com histórico de asma e outras doenças alérgicas.

Otite média é 3-4 vezes mais comum entre as crianças alimentadas com biberão do que as alimentadas ao seio.

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