Cardiologia Pediátrica de Intervenção: Novos Desenvolvimentos - Médicos de Portugal

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Cardiologia Pediátrica de Intervenção: Novos Desenvolvimentos

14 Agosto, 2008 0

A Cardiologia Pediátrica, especialidade médica que lida com as doenças cardíacas em idades pediátricas, desde a concepção à idade adulta, tem sido pioneira na implementação e desenvolvimento de técnicas de intervenção por cateterismo para tratamento de algumas cardiopatias congénitas, evitando assim o recurso à cirurgia.

Actualmente as possibilidades da Cardiologia Pediátrica de Intervenção vão muito além deste grupo etário, aplicando-se também a adultos com doenças cardíacas congénitas ou às sequelas das correcções cirúrgicas realizadas enquanto crianças.

Assim, dispomos hoje de uma multiplicidade de técnicas e de materiais que permitem resultados idênticos ou superiores aos da cirurgia e que vão desde a criação de orifícios ao seu encerramento; da dilatação de válvulas este-nosadas; à oclusão de vasos anómalos; ou mesmo à eliminação de áreas que provocam ritmos cardíacos anómalos.

A capacidade das técnicas endovasculares de corrigir, reparar ou substituir estruturas cardíacas é extremamente apelativa. Já que evitam a abertura do tórax, a paragem do coração e da circulação e por isso, a utilização da máquina de circulação extracorporal e a cicatriz operatória, além de reduzir o tempo de internamento no hospital e o tempo de recuperação, bem como o stress do doente.

Assim e desde sempre, as técnicas de cardiologia de intervenção granjearam uma sedução generalizada, mesmo em situações pioneiras, com resultados ainda não consensuais, o que parece ser principalmente motivado pela aceitação emocional dos doentes e técnica dos seus médicos.

Actualmente existem tantos doentes adultos como pediátricos com doenças cardíacas congénitas, já que a população pediátrica tratada cirurgicamente mercê da melhoria dos resultados atinge a vida adulta com um coração “reparado”, por vezes submetido a várias intervenções.

É claro que a necessidade de reoperar estes doentes tem riscos cumulativos devido às cicatrizes repetidas quer do tórax, quer do coração, sendo necessária uma estratégia de tratamento para toda a vida e a cooperação de cardiologistas pediátricos, cardiologistas de adultos e cirurgiões cardíacos.

Um exemplo paradigmático, são os doentes submetidos a cirurgia para reparação de obstáculos da saída do ventrículo direito, como por exemplo na tetralogia de Fallot. Estes obstáculos são corrigidos com tubos artificiais com válvulas ou tecido do próprio doente, que com o tempo cicatrizam, tornando-se apertados ou incompetentes, o que causa dilatação e falência do coração direito e necessidade de nova cirurgia para substituir a válvula avariada.

 

A substituição valvular, em doentes congénitos é actualmente possível sem recurso à cirurgia graças ao trabalho pioneiro do Dr. Philippe Bonhoeffer, que desenvolveu uma válvula (MelodyTM) para implantação por cateterismo em adolescentes e adultos com falência da saída do ventrículo direito. Esta técnica ganhou aceitação mundial, suportada pelos resultados obtidos.

Actualmente existem cerca de 200 doentes tratados em todo o mundo por este método, com excelentes resultados. Esta técnica destina-se ao tratamento de apertos ou obstruções da saída do ventrículo direito, da insuficiência valvular pulmonar ou de combinação de ambas, e pode ser repetida no mesmo doente em caso de necessidade, no entanto deve ser apenas utilizada em doentes bem seleccionados e por equipas treinadas, podendo desta forma oferecer-se uma opção terapêutica apelativa aos doentes com cardiopatias congénitas com elevado risco cirúrgico.

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