Calores, afrontamentos e suores nocturnos são alguns dos sintomas » Menopausa: pessoal e intransmissível - Médicos de Portugal

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Calores, afrontamentos e suores nocturnos são alguns dos sintomas » Menopausa: pessoal e intransmissível

16 Abril, 2007 0

Cada mulher vive o fim da menstruação à sua maneira. Como defende o Dr. Daniel Pereira da Silva, «há uma susceptibilidade individual que não tem tradução em qualquer exame ou análise».
O importante, sublinha o ginecologista, é que esta nova fase da vida seja «aceite pela mulher com naturalidade, com galhardia, com alegria de ser quem é».

A menopausa é um processo natural, determinado sobretudo por mecanismos genéticos, e traduz-se na ausência de menstruação em consequência da paragem de funcionamento do ovário.

Os primeiros sinais são os atrasos menstruais e os afrontamentos e a menopausa ocorre, em média, aos 50 anos, sendo que a maior parte dos casos acontece entre os 47 e os 52 anos. A idade em que a mãe ou a avó tiveram a menopausa é sempre um indicador de referência. Um choque emocional intenso pode precipitar todo o processo, assim como o tabagismo, que favorece o seu aparecimento mais precoce.

Os sintomas mais frequentes são os calores, os afrontamentos e os suores nocturnos.

«A mulher sente uma onda de calor que a invade desde a cintura até à face; sente um rubor intenso e súbito na face e pescoço, acompanhado de suores profusos», explica o Dr. Daniel Pereira da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), acrescentando:

«Estes são os sintomas que as mulheres mais associam à menopausa, mas a carência hormonal implica muitas outras queixas, por exemplo, maior irritabilidade, maior dificuldade de concentração e memória, maior tendência para a ansiedade e depressão, perturbações nas relações sexuais e insónias.»

Alguns anos mais tarde, se nenhuma correcção for feita precocemente, «intensificam-se as queixas urinárias e as relacionadas com as relações sexuais, como sejam a secura vaginal e as dores que surgem durante o acto sexual». O ginecologista adianta que a menopausa também tem um forte impacto na osteoporose, «na medida em que acelera a sua progressão».

Será, ainda, sentida como
um castigo?

A intensidade do impacto que a menopausa tem no quotidiano está directamente relacionada com as características pessoais da mulher e com a sua personalidade. É inegável que a estabilidade psico-afectiva é determinante neste processo.
«Há, por outro lado, uma susceptibilidade individual que não tem tradução em qualquer exame ou análise. Só metade das mulheres valorizam as queixas, um quarto não as sente e para outras tantas é um verdadeiro tormento!», sublinha o ginecologista, adiantando:

«A questão fundamental é que, nesta fase da vida, a mulher faz face a problemas muito exigentes. É uma etapa em que ela questiona muito os seus atributos femininos e valoriza em demasia os sinais dos anos, aumentando assim a sua insegurança como mulher.»

É também nesta altura que, muitas vezes, aumentam as exigências na família. Basta pensar na idade dos filhos, na idade dos pais e na falta de disponibilidade do companheiro.

«E ela aos 47 – 50 anos? O que sente? Como está a sua situação profissional?

É neste contexto que aparece a menopausa, com aquele cortejo de sintomas, que mais a vulnerabilizam», explica Daniel Pereira da Silva, frisando que «quanto mais estiver segura de si própria mais prontamente enfrentará os problemas e melhores soluções encontrará».

A forma como a menopausa é vivida depende de muitos factores, nomeadamente das relações interpessoais no seio do casal, entre amigos ou colegas de trabalho.

«Tal como em muitas outras situações, a sociedade é, por vezes, perversa. Basta ter atenção aos termos que se usam quando uma mulher é rabugenta. Há logo quem a apelide de menopáusica, em termos jocosos», refere Daniel Pereira da Silva, acrescentando:

«Julgo que há uma tendência para melhorar, até porque é crescente o número de mulheres em pós-menopausa com quem convivemos.»

O especialista reforça que o mais é importante é mesmo a atitude da mulher: importa que ela assuma com naturalidade mais esta fase da sua vida, que o faça com galhardia, com alegria de ser quem é.

«É determinante que saiba valorizar os seus atributos e que constate estar apenas a viver uma nova fase, que implica algumas perdas, mas também alguns ganhos. Deixar de menstruar é bom ou mau? Deixar de se preocupar com a gravidez é bom ou mau?», reforça o ginecologista.

Recuperar a qualidade
de vida

Sendo que os sintomas da menopausa decorrem da falta das hormonas do ovário, o melhor tratamento é, indiscutivelmente, a administração dessas mesmas hormonas. É este o conceito do tratamento hormonal de substituição (THS), que pode ser administrado por via oral ou através da pele.

«Não há outros tratamentos tão eficazes. Sem dúvida alguma, a grande mais-valia da THS reside na sua eficácia na recuperação da qualidade de vida da mulher no pós-menopausa», garante o ginecologista.

Há que distinguir os dois grandes tipos de THS: uma com estro-génios isolados e outra com estrogé-nios associados à progesterona.

A primeira destina-se a mulheres sem útero, a segunda a mulheres com útero.

«Misturam-se os dois tipos na comunicação social, quando se sabe que o tratamento com estrogénios isolados tem menos riscos que o outro. De qualquer forma são genericamente seguros. Não são panaceia e não devem ser usados por todos as mulheres. Quando são correctamente usados e quando se faz um bom acompanhamento, os riscos não são significativos», afirma Daniel Pereira da Silva.

«Como já referi, não existem alternativas válidas à THS. Os fitoestrogénios têm sido muito referidos, mas não são muito eficazes. Para os calores e afrontamentos têm uma eficácia cerca de 10% acima do placebo, o que não é muito elevado», esclarece o especialista, adiantando:
«Só devem ser usados em alternativa à THS quando a mulher não a aceita ou quando está contra-indicada. Neste âmbito, podemos usar ainda alguns antidepressivos e o sulpiride. Para os outros indicadores de qualidade de vida não conheço trabalhos que justifiquem o uso dos fitoestrogénios.»

Há, contudo, uma nova classe de substâncias muito promissoras – o grupo dos STEAR (reguladores selectivos da actividade estrogénica tecidular) –, da qual já é usada a tibolona.

«Em minha opinião, deve ser considerada como um grupo especial de THS, e é alternativa à associação do estrogénio com progesterona. Parece ser mais segura que aquela associação a nível da mama e a sua mais-valia é o efeito positivo na estimulação da libido e a melhoria dos indicadores de qualidade de vida», refere o nosso interlocutor.

Estar na menopausa implica vigilância médica?

A mulher deve ter mais cuidado com a sua saúde, na medida em que há uma série de perturbações ou doenças que são mais frequentes após os 50 anos.

«Não deve deixar de fazer os exames de prevenção: consulta de ginecologia, citologia e mamografia, análises gerais, controlo da tensão arterial, do peso e da dieta», explica Daniel Pereira da Silva, adiantando:

«Deve dar maior atenção ao que sente, aos sinais do seu corpo. Procure o seu médico logo que sinta algo de anormal: os sintomas que já referi, uma perda de sangue inesperada, qualquer alteração na mama, modificação nos seus hábitos intestinais.»

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