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Cafeína em excesso?

17 Setembro, 2009 0

Andarão as nossas crianças a ingerir cafeína em excesso e sem saber? O mais provável é que assim seja, porque a cafeína se esconde nas bebidas de que elas mais gostam.

A imagem de uma criança que leva à boca a colher com que o pai ou a mãe mexeu o café é comum. É um gesto que os mais pequenos reclamam porque fá-los sentir que pertencem ao mundo dos adultos. Mas a verdade é que o sabor do café, apesar de intenso, lhes agrada e eles retiram prazer quando lhes é dada oportunidade de sorver os resíduos que ficam na colher.

Não é aconselhável que as crianças bebam café, mas não é neste gesto que reside o risco de ingerirem cafeína em excesso. O risco está associado a algumas das bebidas e alguns dos alimentos preferidos pelas crianças, como os refrigerantes e os chocolates.

Em maior ou menor percentagem, contêm cafeína e basta um de cada para se ultrapassar a dose máxima recomendada – 85 miligramas por dia para uma criança até aos dez anos.

Este é um limite que se justifica pelo facto de a cafeína constituir um estimulante. Presente naturalmente nas folhas e sementes de muitas plantas, nomeadamente os grãos de café e de cacau e as folhas de chá, é também produzida artificialmente e incorporada em bebidas e alimentos.

Os seus efeitos são muito semelhantes aos do álcool: a cafeína actua sobre o sistema nervoso central, estimulando-o. As pessoas ficam mais atentas e sentem-se com mais energia, o que até é positivo. É, aliás, este efeito que explica a necessidade de beber um café logo pela manhã – “para acordar” – ou para prolongar pela noite uma qualquer tarefa, como acabar um relatório para o emprego ou estudar para os testes.

O problema está no excesso. Quando ingerida em quantidades elevadas e de uma forma continuada, a cafeína tem efeitos menos agradáveis. E tanto nas crianças como nos adultos aumenta o nervosismo e a agitação, causa dores de cabeça e incómodos gastro-intestinais, dificulta a concentração e o sono, acelera os batimentos cardíacos e faz subir a pressão arterial.

E, como qualquer outra droga, gera dependência. Há uma clara habituação e o reverso da medalha – a síndrome de abstinência. Uma pessoa habituada a ingerir doses elevadas de cafeína e depois privada abruptamente dessa fonte de energia e estímulo apresenta queixas de irritabilidade, dores de cabeça e musculares, entre outros sintomas.

A sensibilidade à cafeína não é igual para todos, independentemente da idade. Há pessoas para quem basta uma quantidade mínima de cafeína e outras que requerem doses maiores para obter o mesmo efeito de alerta.

E quem a ingere regularmente acaba por necessitar de doses cada vez maiores, pois a sua sensibilidade à cafeína diminui.

Quanto mais pequena é a pessoa menos cafeína é precisa para produzir efeitos secundários. O que significa que as crianças são mais susceptíveis.

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São razões que justificam o uso de moderação quando se trata de permitir que as crianças bebam bebidas cafeinadas. Mas há mais: é que estes refrigerantes contêm, além disso, açúcar, pelo que se forem consumidos com regularidade aumentam a probabilidade de problemas dentários e de excesso de peso. Para isto contribui também o facto de estas bebidas fornecerem as chamadas “calorias vazias”, sem qualquer valor nutricional.

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