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Avós: Pais 2 vezes

21 Julho, 2009 0

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Com os avós, não se geram os conflitos que opõem pais e filhos. Raramente os avós são disciplinadores, raramente são eles a impor limites e barreiras, raramente são eles a pedir contas de atitudes e comportamentos. Esse é o papel dos pais e são os pais a ser desafiados pelos filhos, sobretudo na conturbada idade da adolescência.

É certo que nesta idade os avós vão perdendo interesse, notando-se algum distanciamento.

Mas, com frequência, continuam a ser o refúgio para onde os adolescentes escapam quando a tensão em casa aumenta. Ali sabem que encontram sempre mimo.

 

Conflito de papéis

O papel dos avós é imprescindível, mas não é fácil. Sobretudo numa época, como a actual, em que os pais dependem deles para muitas tarefas do quotidiano – ir buscar os filhos à escola, ficar com eles quando têm de trabalhar até mais tarde, ocupar-se deles nas férias quando os colégios fecham… Os avós actuais ainda têm muitas responsabilidades que vão para além do afecto. Confundem-se com as responsabilidades da parentalidade e este é um terreno fértil para conflitos.

Há que ter em conta que os avós nunca deixam de ser pais: para eles, os filhos são sempre crianças mesmo quando já são adultos e têm os seus próprios filhos. Há uma certa dificuldade em perceber que o centro da autoridade mudou e, em paralelo, a tentação de manter essa mesma autoridade. É natural que os avós se sintam confusos quanto ao que deles se espera. E que resistam a dar um passo atrás e deixar os filhos tomar as decisões, para eles próprios e para as suas crianças.

Mas a verdade é que, apesar do envolvimento na vida dos netos, os avós não são os educadores. E precisam de respeitar os seus filhos nesse novo papel. Não interferindo, mesmo quando não concordam, e sobretudo não os desautorizando. O que implica uma grande maturidade e flexibilidade de ambas as partes.

Também dos filhos. Para saberem ouvir a experiência e compreender o dilema dos pais.
É claro que as crianças percebem que há um conflito entre as duas gerações que lhes estão acima. E tiram o máximo partido. Inconscientemente, até o estimulam. Por exemplo, quando reagem a um “não” dos pais com um “mas a avó deixa…” ou “mas o avô não faz assim…”. O que as crianças têm de aprender é que pais e avós cumprem papéis diferentes, complementares. E que os espaços que partilham com uns e outros têm regras específicas que não podem ser transferidas.

A casa dos avós pode até ser um espaço onde possam violar algumas das regras dos pais, mas elas têm de voltar a ser respeitadas na casa de família. E cabe aos adultos passar esta mensagem, para que as crianças percebam os limites e os aceitem.

O importante é que avós e netos possam conviver. Todos ficam a ganhar com a partilha de afectos e vivências. Sobretudo agora, no tempo em que, graças ao aumento da esperança de vida, temos uma geração de netos com o privilégio de conhecer os quatro avós.

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