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Alimentação – Prevenir o estado de fragilidade no idoso

22 Julho, 2014 0

Quem acredita no mito de que após uma certa idade é normal comer menos, que só a sopa e o pão com queijo são suficientes para garantir os nutrientes diários, engana-se!

Envelhecer não significa deixar de ouvir as seguintes recomendações: “Não fique mais 3 horas sem comer e não salte refeições; tome sempre o pequeno-almoço; beba pelo menos 8 copos de água por dia, mesmo que não sinta sede; coma pelo menos 3 peças de fruta por dia; e inicie sempre as refeições principais com um prato de sopa. Diminua a ingestão de sal pela substituição por ervas aromáticas, e alimentos com alto teor de gordura e açúcar só nos dias de festa”, como explica a dietista Célia Lopes.

Mastigar devagar é uma regra de ouro, e se ao envelhecer deixamos, em muitos casos, de ter a dentição completa, devemos garantir uma correta mastigação pela adequação da consistência dos alimentos a cada idoso. Devido à falta de dentição e/ou placa dentária, as pessoas de mais idade toleram melhor alimentos moles e fáceis de mastigar, mas isso não significa que apenas comam sopa e papa! Devem ser recomendadas refeições apetitosas e fáceis de confecionar.

A alimentação no envelhecimento deve basear-se nos princípios da Roda dos Alimentos, da mesma forma que a alimentação de um adulto. Deve fornecer os nutrientes necessários para o dia a dia, tais como as proteínas, os hidratos de carbono e os lípidos, sem esquecer as vitaminas e minerais. No entanto, existem exceções, já que as recomendações para a população em geral não têm em conta as alterações do metabolismo e o processo de fragilidade por vezes associado ao envelhecimento.

BAIXO PESO AFETA CERCA DE 25% DOS IDOSOS

O baixo peso, e subsequente fragilidade, afetam cerca de 25% dos idosos, segundo um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, estando associados ao aumento de risco de dependência de terceiros, da morbilidade e até da mortalidade.

Fatores a ter em conta são a perda de peso não intencional, o cansaço, a diminuição de força muscular, situações de mobilidade reduzida e baixos níveis de actividade física. Assim, é importante questionar o idoso sobre se sente fadiga, se tem dificuldade em subir um lance de escadas, se tem dificuldade em andar um quarteirão, se tem mais do que 5 doenças crónicas e se perdeu peso não intencionalmente nos últimos 6 meses. Consoante as respostas a estas questões, pode verificar-se que se está na presença de uma síndrome de fragilidade do idoso.

Nunca é demais lembrar que a perda de peso só é aceitável nas dietas de emagrecimento e não apenas porque envelhecemos! A fraqueza no idoso pode ser reversível, desde que se adeqúe a sua alimentação às necessidades nutricionais específicas desta faixa etária (proteínas, energia, vitamina D) e que se associe um programa de atividade física adaptado às capacidades individuais de cada um.

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As necessidades proteicas para um idoso saudável são as mesmas que para um adulto, sendo recomendada a ingestão diária de cerca de 46g para as mulheres e 56g para os homens. No entanto, em algumas situações poderá ser necessário um aumento da ingestão proteica, sendo recomendado o aumento da ingestão de proteínas para, pelo menos, 70g por dia. O aumento das necessidades prende-se com a diminuição da massa muscular, presença de doenças crónicas e com algumas alterações do metabolismo (aumento do catabolismo proteico) específicas do envelhecimento.

No entanto, apesar de existir um aumento nas necessidades, sabe-se que habitualmente as pessoas mais idosas ingerem diariamente menos proteínas que um adulto, pelo que, para estes casos em que não é possível atingir as necessidades nutricionais diárias somente com a alimentação habitual, a evidência científica suporta os benefícios da utilização de suplementos nutricionais orais de baixo volume e, nos casos de défice de ingestão de proteínas, alto teor proteico.

Os suplementos nutricionais têm como objetivo colmatar as necessidades nutricionais em complemento da alimentação habitual, pelo que se recomenda a sua toma entre as refeições, sendo desejável que se variem os sabores de acordo com as preferências de cada um. Os suplementos nutricionais orais podem ser completos ou modulares, sendo que estes últimos se destinam a complementar a alimentação apenas num macronutriente específico e que está em falta (por exemplo, proteínas ou glúcidos).

Ingerir menos proteína do que o recomendado pode levar à perda de massa muscular, com impacto negativo na capacidade funcional, e ao comprometimento do sistema imunitário, enquanto o aumento da ingestão proteica está associado à prevenção do desenvolvimento de fraqueza. Adequar a alimentação e suplementar sempre que necessário é essencial para prevenir e tratar estados de fragilidade.

Por tudo isto, os profissionais de saúde não devem promover o aconselhamento de dietas excessivamente restritivas, que levam ao desenvolvimento de fraqueza no idoso e muitas vezes ao declínio cognitivo e ao aumento do risco de quedas, dependência e mortalidade, devendo ter ainda em atenção a revisão da polimedicação e do seu impacto negativo na absorção de alguns nutrientes que podem comprometer o estado nutricional.

A identificação de idosos em risco de desnutrição e subsequente encaminhamento para a consulta de nutrição e dietética constitui, cada vez mais, um papel importante do farmacêutico.

Quem tem mais de 65 anos e quer continuar a viver a 100%, não pode, por tudo isto, descurar a sua alimentação – tão essencial à vida como o ar que respira.

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