Alheamento, ausência de reciprocidade, isolamento » Autistas são estimulados para a interacção social
Infelizmente, nem todos os indivíduos com autismo têm a sorte dos que estão a ser acompanhados pela APPDA…
Para Pilar Levy, «a situação ideal seria a equipa estar no mesmo sítio, pois, os profissionais têm de contactar uns com os outros. Além disso, a deslocação destes doentes é sempre complicada, pois, podem ter crises de stress».
Da infância à velhice
Do ponto de vista social, o autismo melhora após a infância. Porém, depende bastante da aquisição da linguagem.
«Se o doente adquiriu linguagem, mesmo que tenha sido mais tardiamente (até aos 4 anos), vai ter um melhor prognóstico na idade adulta», garante Pilar Levy, frisando que «a terapia comportamental e educativa também é muito importante para o futuro dos autistas».
Comparativamente há uns anos, hoje em dia, estes doentes têm mais hipóteses no sucesso da sociabilização. São cada vez mais as escolas públicas a aceitar crianças com autismo. Mas a grande dificuldade surge após o ensino primário. Não porque não gostem ou não tenham capacidade para estudar, mas porque toleram menos bem a pressão dos exames e das notas dos exames.
«Gradualmente, os terapeutas e os educadores têm vindo a criar normas de estabilidade que ajudam os autistas a adquirir mais autonomia», refere a médica, especificando:
«Na Associação há doentes com grandes défices mentais que vão tratar da horta, outros vão ajudar na lavandaria e adoram. No entanto, uma pequena percentagem consegue ter uma vida mais independente.»
Uma minoria consegue, inclusive, a inserção no mercado de trabalho. Contudo, segundo Pilar Levy, «tem de ser um emprego supervisionado, em que sejam escassas as solicitações visuais e auditivas. A jardinagem e a informática são áreas em que é possível trabalharem, bem como num centro de fotocópias ou numa biblioteca. No entanto, cada caso é um caso e portanto todo o planeamento deve ser individualizado».
Apesar de não haver dados em relação à esperança de vida dos autistas, sabe-se que poderá ser menor que a média. Para além da epilepsia, e das doenças associadas ao autismo, começam, depois, a entrar nas idades de risco das doenças associadas ao envelhecimento, como o cancro, a hipertensão, a obesidade ou as doenças cardiovasculares. A identificação e tratamento destas doenças é difícil, devido à pouca colaboração por parte do doente, mas deve-se privilegiar a prevenção.
«As pessoas com autismo têm uma velhice precoce e os medicamentos que têm de tomar devido às doenças têm efeitos secundários prejudiciais», menciona Isabel Cottinelli Telmo, que é da opinião que se deve estudar com uma maior profundidade o modo de agir com os autistas idosos.
Jornal do Centro de Saúde
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