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Adolescência: Porque o mundo é composto de mudança

21 Novembro, 2014 0

Puberdade e adolescência representam uma revolução total: no corpo, que ganha a forma do género; na mente, que desenvolve novos interesses e desperta emoções; na socialização, onde se procura combinar a independência o corte do cordão umbilical com os pais – com a entrada na idade adulta, onde se perde a inocência. Faz parte da condição humana – crescer!

E crescer implica mudanças. Em termos biológicos, a criança cede lugar a um homem ou a uma mulher, envolvendo sentimentos contraditórios. Se muitos se sentem bem com o “novo” corpo, outros podem não se identificar com o que o espelho mostra. E tudo por causa das hormonas.

São elas que determinam um aumento de peso e de altura nas raparigas, ampliando e arredondando as ancas, aumentando os seios, fazendo surgir os pêlos púbicos, activando as glândulas sudoríparas e desencadeando a primeira menstruação – a menarca, que oficialmente marca o início da puberdade e, com ela, da capacidade reprodutiva.

Os rapazes também ganham peso e altura, os ombros e o peito alargam-se, os músculos desenvolvem-se, o pénis e os testículos crescem, começando a produzir esperma, e surgem os pêlos púbicos. As primeiras ejaculações surpreendem uma noite de sonhos!… Com o tempo, a voz ganha “graves” e as glândulas sudoríparas entram em acção.

 

Acautelar distúrbios alimentares

O aumento de peso e a mudança de forma associada aos estereótipos imbuídos na sociedade actual traduz-se num (quase) imperativo: ser magro, com o risco de obsessão de perder quilos, que conduz a comportamentos extremos, em que pontuam os distúrbios alimentares.

Normalmente, as raparigas são as mais vulneráveis às pressões sociais e culturais, tantas vezes caindo nas malhas da anorexia e da bulimia.

A anorexia resulta na rejeição dos alimentos devido ao receio de engordar, mesmo que a balança indique o contrário.

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Isto acontece sobretudo com raparigas, especialmente num quadro de baixa auto-estima e com padrões elevados de exigência e responsabilidade. Cada quilo perdido é encarado como uma vitória pessoal, mas que fragiliza a saúde e hipoteca a vida. Uma perda equivalente a 15-20 por cento do peso normal envolve danos enormes, porque pode não haver gordura corporal suficiente para manter os órgãos saudáveis. Coração, fígado e rins podem deixar de funcionar se a pessoa não comer o suficiente; o metabolismo desacelera, causando quebras na pressão sanguínea, no ritmo cardíaco e nos movimentos respiratórios. A anemia é frequente e a menstruação é interrompida.

A negação da evidência é uma reacção típica destes jovens anoréticos, envoltos em danos também emocionais que conduzem ao isolamento e à depressão.

A bulimia é outro distúrbio alimentar desencadeado por uma insatisfação com o corpo, caracterizando-se pela ingestão compulsiva de alimentos para de seguida vomitar, tomar laxantes ou diuréticos, fazer jejum e praticar exercício físico excessivo. É, tal como a anorexia, um fenómeno feminino e, lá em casa, o quarto tende a ser um arsenal de alimentos que se consomem compulsivamente, sem nunca saciarem…

O passo seguinte é a sanita, uma vez provocado o vómito, por não se suportar a ideia de ter comido. As dores de estômago são frequentes, os dentes perdem o esmalte, em resultado da presença excessiva de ácidos provocada também pelos vómitos, as glândulas salivares expandem-se de tal forma que o rosto parece inchado, os períodos menstruais cessam e a regularidade do vómito induz défices de potássio, facilitando problemas cardíacos…

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